Press Trip Casa Relvas - A arte de bem receber no Alentejo




A Casa Relvas recebeu em meados de abril um animado grupo de visitantes, inserido em mais uma Press Trip, desta vez liderada pela Maria Pimenta da Chefs Agency, para um completo programa de enoturismo que se dividiu pela Herdade da Pimenta e pela Herdade de São Miguel.

A Casa Relvas é um dos grandes produtores da região e mesmo do país, com um volume anual impressionante na ordem dos 6 milhões de garrafas. Comercializa marcas bastante conhecidas dos consumidores, como Herdade de S. Miguel, Monte dos Amigos, São Miguel dos Descobridores, ART.TERRA, Herdade da Pimenta ou Ciconia. A adega fica na Herdade da Pimenta, próxima do Redondo e da clássica cidade de Évora, e foi aqui que tomámos o pulso ao projeto, com a visita à adega desenhada por Luís Duarte, conhecido enólogo e técnico da região. O guia foi Alexandre Relvas, figura descontraída, apaixonada pelo projeto de família e com grande sentido de responsabilidade empresarial, já que do sucesso da empresa dependem diretamente cerca de 85 colaboradores.



A adega é bastante funcional, mas devido ao grande crescimento da empresa, está já no limite da sua capacidade, pelo que são expectáveis novidades nos próximos tempos... Aqui podemos encontrar as ânforas que dão origem aos vinhos de talha da marca ART.TERRA, uma recuperação desta antiga tradição na região do Alentejo. Foi nesta primeira parte da visita que provámos uma amostra de barrica do Herdade de S. Miguel Esquecido, um branco 100% arinto extraordinário na textura cremosa, muito intenso, untuoso e de final longo, a colheita de 2018 promete. A viagem continuou pelos grandes armazéns da adega, onde se embalava uma encomenda especial para o Brasil, pelo laboratório de análise química ou pela enorme sala de barricas, onde repousam nas paredes milhares de garrafas do portefólio do produtor, de diferentes referências, formatos e anos de colheita. Aqui sente-se que estamos num local especial, onde se adivinham vinhos de excelência nas proximidades... Provámos mais algumas amostras de barrica, com destaque para um monovarietal de Alfrocheiro (sedutor e expressivo aromaticamente) e para o Pé de Mãe 2017, um tinto com 90% trincadeira e 10% de castelão, que dá já uma prova bastante interessante. Um vinho a seguir com muita atenção nos próximos anos. Uma visita muito rica e didática, num ambiente divertido e recheado de provas surpreendentes.



Depois da visita à adega, estava reservado ao grupo um almoço verdadeiramente especial: fomos levados até à Herdade de São Miguel, onde Alexandre Relvas vive com a sua família e onde nos abriu as portas da sua casa, para uma refeição memorável. Os pratos tipicamente alentejanos com ingredientes locais desafiaram os sentidos de todos os presentes, e foram grandes companheiros de todos os vinhos provados. Uma prova de excelência, uma refeição feita de partilha, de histórias, de família e de amigos. Um local a que apetece voltar, e cuja viagem poderá ser feita dentro de uma garrafa de um bom vinho da planície alentejana.

Vinhos em prova durante o almoço: 
- Herdade de São Miguel Colheita Selecionada Branco 2016 Magnum
- Herdade de São Miguel Esquecido 2017 (produzidas 2.500 garrafas)
- Herdade de São Miguel Colheita Selecionada Tinto 2017
- Herdade de São Miguel Trincadeira 2014
- Herdade de São Miguel Pé de Mãe Tinto 2016 (produzidas 4.000 garrafas)
- Herdade de São Miguel The Friends Collection 2015 (produzidas 3.600 garrafas)

Resta-me agradecer a todo o grupo que me acompanhou e em particular ao meu amigo Pedro Almeida, à Chefs Agency na pessoa da Maria Pimenta, ao produtor Herdade de São Miguel e em particular ao Alexandre Relvas e sua família, o momento verdadeiramente mágico que proporcionaram a todos os presentes nesta visita. Sentimo-nos como parte da família. Obrigado.






Artigo publicado em 09 de junho de 2019.

Novidades na João Portugal Ramos - Vinhos monovarietais de parcela






Um dos mais emblemáticos produtores da região do Alentejo, João Portugal Ramos (JPR), juntou em Lisboa alguns jornalistas, elementos da equipa JPR, winebloggers, parceiros, amigos e família, para a apresentação de dois novos vinhos do seu portefólio. O dinamismo da empresa e a sua contemporaneidade têm-se revelado atributos inequívocos, pois ainda à cerca de um ano estávamos em Estremoz para conhecer os dois novos Marquês de Borba Vinhas Velhas, referências que conquistaram sucesso imediato no mercado. A noite chegou por isso com grande expetativa de todos os que desconheciam os novos rótulos, grupo no qual eu me incluía.


Desta vez, foi escolhido para a apresentação um restaurante histórico da cidade fundado no ano da Revolução (1974), o Faz Figura. Durante a refeição, os vinhos da JPR foram sendo apresentados com criações do Chef Pedro Dias, entre as novas referências apresentadas e outras já com provas dadas:

Espumante João Portugal Ramos Alvarinho Reserva 2014
Croquetes de vitela Barrosã
Shot de sopa fria de tomate com mousse de coentros
Tostas com queijo creme, salmão fumado e cebolinho
Marquês de Borba Vinhas Velhas Branco 2017
Filetes de pescada dos Açores com maionese trufada e rosti de batata
João Portugal Ramos Vinha do Jeremias Syrah 2015
Pimentos doces recheados com mousse de bacalhau e salada verde
João Portugal Ramos Vinha de S. Lázaro Touriga Nacional 2015
Lombo Viriato em massa folhada com cogumelos e molho da Madeira
Duorum LBV 2014
Mousse de chocolate com pimenta rosa, flor de sal do Algarve e telha de laranja

A presença de João Portugal Ramos abrilhantou como de costume a refeição, com um discurso focado no projeto e nos dois novíssimos vinhos de parcela, sem dúvida as estrelas da noite que geraram uma saudável discussão entre os convivas sobre as características e perfil de cada um. Para mim, ambos se revelaram surpreendentes, pois se num Syrah não esperamos tanta subtileza e discrição de taninos e estrutura, num Touriga Nacional do Alentejo não me lembro de encontrar tanta intensidade e harmonia, num dos melhores monovarietais da casta na região atualmente, sem qualquer dúvida.

O Vinha do Jeremias Single Vineyard Syrah 2015 centra a prova na elegância e na ausência de taninos, com o fruto preto e especiarias típicas da casta. A vinha de 4ha que lhe deu origem foi plantada em 2003, e os dois clones existentes foram selecionados pela equipa de viticultura por serem menos produtivos. Já o Vinha de S. Lázaro Single Vineyard Touriga Nacional 2015, oriundo de uma vinha com apenas 1,5ha e solos calcários, revela uma harmonia invulgar entre taninos finíssimos, leves notas cítricas, floral subtil e grande garra no final distinto. Uma aposta ganha em duas novas referências com produção muito limitada (3.500 garrafas cada), de PVP 25€ e que os enófilos não deixarão de querer juntar à sua coleção.

Deixo no final deste texto o meu agradecimento ao produtor pela oportunidade proporcionada, na pessoa da Marta Lopes, e também aos meus colegas de mesa, que fizeram deste jantar um momento de animada comunhão enófila. A todos um grande bem-haja.



Artigo publicado em 15 de abril de 2019.
Algumas das fotografias foram gentilmente cedidas pelo produtor.
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