Venâncio da Costa Lima Moscatel Roxo 2012

A empresa Venâncio da Costa Lima (VCL) é uma das adegas mais antigas da região de Palmela (fundada em 1914), e ganhou grande notoriedade em 2011 com o prémio de Melhor Moscatel do Mundo no concurso "Muscats du Monde 2011", atribuído ao seu Reserva 2006, um dos bons exemplos dos magníficos generosos produzidos na Península de Setúbal. Desde então o portefólio da empresa tem crescido e respondido às (muitas) solicitações do mercado consumidor. Tenho de confessar que o Moscatel de Setúbal Reserva VCL se tornou para mim uma referência actualmente, depois de ter tido a oportunidade de provar algumas colheitas, com a já mítica 2006 e também a 2007 à cabeça. Uma das referências que faltava era precisamente um Moscatel Roxo, pois é proveniente de uvas tintas extremamente raras no mundo e produz alguns dos melhores vinhos conhecidos e reconhecidos na região (mesmo internacionalmente), com especial destaque para os roxos da José Maria da Fonseca, Bacalhôa ou Horácio Simões.
 


Foi por isso com muita expectativa que recebi esta garrafa da primeira edição de Moscatel Roxo produzido pela VCL, um vinho da colheita de 2012 com DO Setúbal (designação utilizada quando a casta em questão contribui com pelo menos 85% do mosto utilizado). Estagiou em pipas durante 3 anos e apresenta uma graduação alcoólica de 17,5%. A opinião com que fiquei e que foi partilhada pelo meu amigo Jerónimo Cunha, é a de que este Moscatel Roxo tem ainda um caminho a percorrer para poder aspirar a ombrear com as referências da região. De perfil maduro, embora complexo, está ainda um vinho algo pesado, a que falta alguma acidez. Desconheço a influência do ano vitícola de 2012 nas uvas obtidas para a elaboração deste generoso, mas julgo que mais frescura pode colocar o vinho num patamar superior de equilíbrio e intensidade. Vou seguir a evolução do trabalho da empresa neste vinho, com a certeza de que "o caminho se faz caminhando", e que podemos esperar melhores resultados no curto/médio prazo.


 
Nota de Prova: no copo evidencia cor âmbar escuro. O aroma mostra-se complexo e algo intenso, associado a notas tostadas da barrica, caramelo queimado, mel e suaves lascas de laranja cristalizada. No ataque mostra-se levemente ácido, corpo médio envolvido em especiaria, notas de bolo inglês e novamente caramelo. O final é sugestivo e com alguma persistência, mas pede maior frescura. Classificação: 15,0 valores
 

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