Nelas é já ali ao lado...

Nelas fica a mais ou menos 280 kms de Lisboa, não diria longinquo mas certamente não é perto. Surgiu a oportunidade e quando ela surge, bem, de vez em quando lá tem de ser...

Bilhetes em 1ª classe, oferecidos pela organização e lá vamos nós, que Nelas é já ali... 

Talvez seja da minha natureza cautelosa, mas eu procuro saber tudo ou quase tudo acerca dos sitios para onde vou passear. Não gosto muito de descobertas inesperadas. Especialmente quando nos acompanha a nossa irrequieta filha de 3 anos.

500 polegadas, disse-me um conhecido produtor do Dão, era a distância entre a estação da CP e o local da festa. E que metrópoles como Nelas, eram fáceis de lidar...

Esqueceram-se foi, de me recordar que estamos em Setembro e o norte do país é muito diferente do Sul onde resido. Isto tudo para dizer que chovia. E bem!

Fiz a minha parte pelo comércio local, comprei um chapéu de chuva e gloriosamente, enganei-me numa curva á direita e fui parar á porta do local onde acabei por ir almoçar. Benditos enganos.

O local da feira é em frente á câmara municipal e foi muito giro. Havia um palco, sitios para comer e muito, mas mesmo muito para beber. Melhor, provar. Que beber tanta coisa dá mau resultado.

 
Surgem uns atrás dos outros, caras conhecidas, conhecidos e amigos. Gosto de dizer com algum orgulho que já conheço alguns dos intervenientes deste mundo vínico português. Já são muitas feiras, muitas degustações e muitos encontros. E é sempre bom encontrar sorrisos genuínos e gente interessada e atenta. E paciente, porque eu sei que sou um chato. E agradeço a todos a paciência que têm para me aturar. 

Caminhos Cruzados, bons vinhos e um preço muito correcto...

Pergunto muito, falo muito e provo ainda mais. Cada vez mais o Dão é a minha região vínica favorita.

Quanto a vinhos...

Destaco o novo branco da Quinta dosCarvalhais. Um Reserva com 36 meses de estágio em pipas de carvalho e garrafa.
Esta foto não faz justiça á maravilha líquida que é este vinho...

 
Um branco do Dão diferente, mais meloso e amanteigado que mineral, mas gostei sinceramente. Foi uma muito agradável surpresa.

E o que caminha a passos largos para ser uma das minhas referências de brancos no Dão, a Quinta dos Roques com o seu Bical, um vinho poderoso, austero e mineral. Gosto.

No Dão encontro-me muito mais virado para os brancos, mas não sei o que se passou desta vez, acho que estava muito mais virado para os tintos neste dia muito particular.

E foi assim que provei com muito gosto e surpresa, dois ou três tintos que passo a destacar.
 
Toda a gama da Quinta das Marias ao nosso dispor...

O Cuvée TT, da Quinta das Marias, um vinho muito interessante e muito bem feito. Delicioso e á espera de se fazer um homenzinho, que agora ainda anda muito bruto...
 
A melhor surpresa do dia...

 
Para mim, a grande surpresa foi um projecto que anda nas bocas do mundo, Quinta dos Três Maninhos. Provei o branco e gostei. Provei o tinto e adorei. Quatro cubas, um lagar, três irmãos e muita vontade de fazer bons vinhos. Fossem todos assim...

 Superior...

 
E depois tenho de destacar dois portentos da região, o tipo de vinhos que mete muito enófilo a sonhar. Carrossel, da Quinta da Pellada e o Garrafeira de 2008, da Quinta dos Roques.

A poderosa dupla magnum da Garrafeira 

Estão ao nível dos melhores vinhos do país. E mais não digo.

De tudo o que provei, destaco ainda os vinhos da Fonte de Gonçalvinho, gosto muito do branco e do Rosé. E do Cuvée. Mas gosto mais da honestidade e sinceridade do casal luso-francês que gere o projecto. Para a Christelle e para o Casimir, um muito obrigado por tudo. 



A repetir, para o ano.
 


P.S.- muito obrigado á organização do evento pela oportunidade de me deslocar a Nelas, á simpatiquíssima menina que estava de serviço no stand do Turismo Rural e vinhos do projecto Madre de Água, pela gigantesca paciência que teve com a minha filha, aos produtores que têm de me aturar (abraço para o Sr.Peter Eckert, ao Sr. Eurico e ao Sr. Luis Lourenço e ao filho, José Lourenço!) e a São Pedro, porque deixou o sol brilhar toda a tarde e só choveu qualquer coisa depois de eu me ter ido embora!

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