Quinta do Francês (Enoturismo - Algarve)

Ao passarmos Odelouca, pequena localidade situada no concelho de Silves a cerca de 11 km de Portimão, sabemos que apenas poucos instantes nos separam do edifício da Quinta do Francês, que surgirá brevemente no horizonte no meio de alguns hectares de vinhas. A fonte, que é a imagem de marca deste produtor algarvio, fica no início da curta estrada que leva o visitante até esse edifício, onde funcionam a adega, a loja de vinhos, a sala de provas, a cave de estágio, o laboratório de análises e também o armazém. O muro logo à frente do edifício serve também de miradouro para a área vitícola da propriedade (8,5 hectares): Trincadeira à esquerda, Aragonês à direita, Syrah ainda mais à direita numa elevação e mais lá ao fundo, junto à ribeira, as cepas de Cabernet Sauvignon, normalmente as últimas uvas a serem vindimadas. Conforme se percebe facilmente, aqui apenas se encontram plantadas quatro castas tintas, pelo que as uvas que estão na origem do único vinho branco produzido são compradas na região de Lagoa.

Tânia Silva é a relações públicas da Quinta do Francês, e recebe de forma sorridente e bem-disposta os visitantes àvidos de mais uma experiência enoturística que correspondeu às expectativas criadas. A loja de vinhos é um espaço confortável e amplo, é visível o bom gosto na organização à volta do tema esperado (adivinhem qual...), uma mesa preparada para receber grupos maiores para provas, mas também um balcão destinado a esse fim, num estilo diferente mas genuíno pelo qual optámos no momento da nossa prova. Muitas garrafas da Quinta do Francês encontram-se expostas, bem como medalhas conquistadas em concursos nacionais e internacionais.
 
A adega mostra-se como um espaço não muito grande mas suficiente para a produção, ocupado por cubas de inox, um desengaçador e um tapete de selecção, entre outros aparelhos mais ou menos complexos. No dia da nossa visita, foi possível assistir à liderança de Cláudia Favinha (enóloga da Wine ID, equipa de António Maçanita) sobre todas as operações feitas na adega. Esta enóloga presta também serviço para outros produtores algarvios como Paxá Wines (Quinta do Outeiro) ou José Manuel Cabrita (Quinta da Vinha). Também o produtor Patrick Agostini e António Maçanita têm uma palavra a dizer quanto às decisões finais em matéria enológica, que definem os vinhos que saem da Quinta do Francês.

No andar inferior, a cave de estágio é um espaço também à medida das necessidades, onde descansam muitas dezenas de barricas com o precioso líquido que faz as delícias dos consumidores. Algumas são palco de experiências da equipa de enologia e possivelmente não verão a luz do dia do ponto de vista comercial... O laboratório de análises é simples mas funcional, e disponibilizará alguma informação importante em tempo útil. O armazém completa as divisões deste piso e possui uma área importante para guardar toda a produção, onde descansam algumas paletes completas de vários vinhos da casa, caixas de madeira destinadas ao topo de gama e muitas garrafas magnum que são alvo de cobiça dos visitantes... É aqui também que se rotulam todas as garrafas individualmente numa mesa preparada para o efeito. De volta ao piso superior, preparamo-nos para o culminar deste programa de enoturismo com a esperada prova de cinco vinhos do portefólio da Quinta do Francês, da qual vos deixo de seguida as principais notas.

Encostas de Odelouca 2010 Branco
Lote de Arinto e Crato Branco com uvas compradas fora da quinta (da região de Lagoa). Apresenta cor palha aberta e aromas a citrinos maduros (limão) com ligeiro toque de alperce. Na boca mostra alguma frescura, corpo leve e persistência mediana, um branco simples e directo que poderá harmonizar com entradas menos elaboradas, saladas e peixes magros. (Preço recomendado: 5,50 €)

Encostas de Odelouca 2011 Rosé
Cabernet Sauvignon e Syrah. Cor rosada, bem frutado no nariz com as framboesas em evidência sobre outros frutos vermelhos. No ataque apresenta algum corpo, boa acidez e termina com persistência assinalável. Um rosé elaborado a pensar na mesa, nomeadamente peixes grelhados e carnes brancas, uma boa opção! (Preço recomendado: 4,50 €)
 
Encostas de Odelouca 2009 Tinto
Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. Cor vermelha-escura. Aroma complexo envolvente, notas de ameixa e cereja, frutos vermelhos maduros e leve tosta. Na boca revela boa sugestão de especiarias, foco no pimento verde, perfil guloso, saboroso e alguma acidez no final persistente. Beneficia com a decantação prévia. (Preço recomendado: 7,49 €)
Odelouca 2010 Tinto
Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah. Cor vermelha-escura, nariz bastante fresco, acidez presente, cerejas, compota de morango. Na boca é um vinho mais delgado que o anterior (2009), menos encorpado e mais curto no final, onde a fruta predomina nas últimas sensações da prova. (Preço recomendado: 7,49 €)
 
Quinta do Francês 2009 Tinto
Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah (lote com 25 % de cada uma). Cor rubi brilhante. Aroma complexo, químico (ceras e leve verniz), fruta vermelha pouco madura, sugestão de framboesa. Mostra-se com bons taninos na boca encorpada, algumas especiarias bem presentes e acidez ainda nervosa. O final é de um bom comprimento, mas é um vinho ainda em evolução, a precisar de (pelo menos) um par de anos em garrafa para harmonizar e elevar o patamar. (Preço recomendado: 15,99 €)

Em jeito de conclusão, não queria deixar de mencionar a grande qualidade de alguns dos vinhos produzidos no Algarve, em que se incluem os produzidos na Quinta do Francês. É uma região que vale a pena visitar, pois programas de enoturismo não faltam!
 
Fica aqui um agradecimento especial à Tânia Silva que tão bem nos recebeu, e os votos de que o bom trabalho continue por terras de Odelouca. Para terminar, não podia deixar de agradecer ao meu amigo Paulo Simões, que tem grandes responsabilidades nesta visita :-) Um grande abraço!

 


 



 

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