Um aniversário precisa disto...

Bem, os aniversários vão e vêm e no fim, o que conta é o momento... demasiado filosófico? Pode ser, não nego as minhas legitimas aspirações a filósofo de algibeira, cheio de lugares comuns ou algo assim...

Hmmm... este post está um bocado estranho, não?

Pode ser do muito bom vinho que foi aberto ao jantar, mas isso fica para outro dia.

Hoje vou falar-vos do meu aniversário. Que já foi há um mês e tal, mas como diz a Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada...

Dia de sol, bom auspicio para um almoço que se apresentava farto e cheio de amigos e família, afinal, aqueles que mais interessam nesta vida.

Servi, juntamente com a esposa, aos amigos e família, uma estupenda feijoada de chocos.

Para acompanhar o repasto, rico e cheio de sabor, servi primeiro um vinho do Douro, esquecido que estava na garagem do meu pai, um Callabriga de 2002.

Portanto, 10 anos.

Falei acerca deste vinho com o Engº Luis Sottomayor, director de enologia da Casa Ferreirinha, talvez a mais conhecida face do império Sogrape, durante o Adegga Wine Market, versão de verão.
Disse-me ele e não mais me esqueci, que se estivesse em boas condições de guarda, durava sem problemas uns 10 a 15 anos e dava sempre boa prova.

Estava ótimo, muito redondinho, sumarento, com aquela fruta típica do Douro muito bem controlada. Fazia de facto boa prova, deixava um excelente fim de boca. Grande vinho, que em novo devia estar cheio de cor, força mas que agora, 10 anos após a sua colheita, estava soberbo. Uma das melhores provas do ano.


Depois, sou sincero. Era o vinho que eu mais queria provar, o que vinha a seguir.

Conheci o produtor ou melhor, a casa mãe do produtor num dia de verão verdadeiramente assassino. Estavam mais de 40º á sombra e até o meu carro se ressentiu disso. Mas do que provei nesse dia, o que vi e ouvi e interiorizei, fiquei fascinado pelo desejo de se manter agarrado a uma antiquidade em que se dá primazia á qualidade. Os métodos são de novos, mas as ideias são á moda antiga, um bocado na senda do, "se não está estragado, não lhe mexas". Não podia concordar mais.

O Quinta das Bágeiras Garrafeira de 2003, é um vinho para durar anos. Muitos.

Utilizando uma expressão do Miguel, "se tivesse de por um vinho de parte para o beber daqui a 20 anos, este era um deles." Como quase sempre nestas questões vínicas, o rapaz estava certo.

Era potência, como nunca tinha provado na vida. Mas junto a essa potência viril e masculina, estava já uma doçura e um refinamento um pouco feminino, que só pode dar coisas boas daqui para a frente. Esta dicotomia, este jogo de contrastes, que pessoalmente me fascina no vinho e em especial, nos vinhos da Bairrada e do Dão, que me leva a pensar que os vinhos feitos com grandes percentagens de Baga ou na sua totalidade, são de facto vinhos de outra estirpe, de uma qualidade ímpar que nos colocam num patamar, enquanto país produtor de vinhos, equitativo com os grandes do mundo. Os franceses têm o Cabernet Sauvignon e o Pinot Noir, os espanhóis têm o Tempranillo e os italianos o Nebbiolo. Nós temos a Baga.
E venha quem vier.



P.S. - provámos outros vinhos nesse dia, mas depois do abate de ideias pré-concebidas e confirmações entusiastas de outras, não posso fazer grandes considerações. Estavam bons, de certeza!

2 comentários:

  1. seguindo o conselho, vou tentar não ceder a tentações e guardar o meu garrafeira 2003 mais uns anos... mas duvido que seja facil a não ser que encontre por ai à venda colheitas mais antigas

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  2. Jerónimo, neste momento está poderoso. Muito forte, mas delicioso. Mas nota-se que há ali coisas por polir. O comentário dos 20 anos, é talvez um pouco exagerado. Mais uns 5 ou 6 anos e acredito que a outra que lá tenho desta colheita, vá á vida! Mas ainda assim, está um vinho soberbo de se beber! Há 2 fins de semana abri a minha ultima de Dores Simões Garrafeira de 1995 e essa estava em grande momento!

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