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Vinho ao Vivo 2018 - 13 e 14 de Julho - Esplanada à Margem - Belém, Lisboa




Mais um ano, mais uma edição do Festival Europeu do Terroir - Vinho ao Vivo, com a chancela da organização a pertencer como sempre aos Goliardos (Sílvia Mourão Bastos e Nadir Bensmail). Esta é a nona edição daquele que é um dos mais interessantes eventos vínicos da capital, edição após edição, cujo início remonta já ao ano de 2010. Em 2018, a responsabilidade dos vinhos apresentados é de 35 produtores europeus (cerca de 45% portugueses) criteriosamente selecionados, tendo em conta predicados como a cultura e respeito pelo local de origem, a tradição, o talento e a personalidade.

O Vinho ao Vivo é um evento muito especial para o Copo Meio Cheio, pois aqui temos alargado os nossos horizontes quanto àquilo que se faz fora de Portugal, permitindo-nos valorizar (ainda) mais tudo aquilo que se faz por cá. Este ano, destacamos de entre os produtores nacionais nomes como António Madeira (Dão) e ainda alguns clássicos neste festival como Quinta do Mouro (Alentejo), João Tavares de Pina (Quinta da Boavista - Dão), Quinta das Bágeiras (Bairrada) ou Aphros (Vinhos Verdes). Dos produtores internacionais destacamos nomes como Matias i Torres (Espanha - La Palma, Canárias), Eric Texier (França - Rhône) ou Cantina G Rinaldi (Itália - Barolo).

Muitos vinhos em prova e muita animação, é o que está prometido para todos os aficionados do tema nos próximos dias 13 e 14 de Julho, no já clássico espaço Esplanada à Margem, em Belém. Um evento obrigatório para todos os enófilos!

Bilhetes
  1. Na entrada para o evento
  2. Online, através do link https://goliardos.bol.pt/
  3. Na Garagem dos Goliardos, Quintas e Sextas (17:00 - 20:00): Campolide, Rua General Taborda, 91


Contactos: vinhoaovivo@gmail.com


    Publicado a 07-07-2018.

    Valle Pradinhos Reserva 2006 Tinto: ainda o duelo Ibérico!

    Cor granada-escuro. Aroma forte e sedutor com as notas de cacau e chocolate negro em evidência, folha de menta, bagas silvestres bem maduras e ligeiro traço balsâmico. Na língua o ataque é algo especiado, mostra um lado vegetal, é vibrante, cheio, textura densa, corpo altivo, taninos vivos bem presentes, tudo apontando para um longo e saboroso final, sempre num perfil impositivo e autoritário.
     
    Às vezes vivemos histórias peculiares, engraçadas, que apetece partilhar, esta é uma dessas narrativas. Tudo começa com uma encomenda de algumas garrafas, feita entre amigos no final da noite do dia 6 de Julho de 2012, o primeiro dos dois dias do "Vinho ao Vivo - Festival Europeu do Terroir", fantástico evento organizado pel' Os Goliardos. Desta encomenda constava entre outras, uma garrafa daquele que foi para mim o melhor vinho dessa primeira noite de provas: o Coma Vella 2007, um tinto espanhol extraordinário da região do Priorato, elaborado pelo produtor Mas d'en Gil. Algumas semanas mais tarde, o pedido chegou finalmente, e haviam sido entregues não uma mas duas garrafas de Coma Vella 2007...

    Por sugestão do nosso amigo Jerónimo, decidimos ficar com mais essa garrafa e dividir os custos da compra entre todos; acordámos também em abri-la apenas num jantar onde todos estivéssemos presentes, oportunidade que surgiu há cerca de três semanas, quando combinámos um jantar em minha casa. Para além desta garrafa, o Jerónimo trouxe um outro vinho que de imediato chamou a atenção dos convivas: um Vale Pradinhos Reserva 2006 Tinto...

    Estava dado o mote para um inesperado duelo ibérico, com os argumentos de parte a parte a esgrimirem-se sobre uma terrina de polvo à lagareiro com batatinhas a murro, modéstia à parte, estava mesmo muito bom!

    Antes de se iniciar o jantar, se eu tivesse de apostar num vinho para vencer, não teria dúvidas em depositar todo o dinheiro no Coma Vella 2007. Ainda bem que não havia apostas nesse dia: perderia cada cêntimo! Não que este não estivesse à altura, pois todos os pergaminhos que lhe reconheci no Vinho ao Vivo se mantinham neste que é também um excelente vinho em qualquer lado, potência focada, elegância, belo nariz e melhor final, num estilo diferenciador. No entanto, o Vale Pradinhos Reserva 2006 apresentou-se na mesa com uma personalidade autoritária, austero, firme e texturado, que presença... Da primeira à última gota, marcou todos os presentes e conseguiu aquilo que julgava não ser possível, ofuscou o brilho imenso do primeiro vinho, com o seu estilo altamente personalizado.

    As características apresentadas pelo Valle Pradinhos Reserva 2006 fizeram-me recordar uma outra referência da produção nacional, que bebi recentemente no almoço de aniversário do nosso amigo Pedro, que teve a amabilidade de partilhar com os presentes uma garrafa de Quinta das Bágeiras Garrafeira 2005 Tinto. Também este um vinho fantástico, que ainda agora dá os seus primeiros passos, e ao qual vaticinámos uma longevidade a perder de vista!

    Conforme poderão ver, a ficha técnica do Valle Pradinhos Reserva 2006 indica um potencial de envelhecimento até 2034!! Bem, não sei se a outra garrafa que ainda tenho vai esperar tanto tempo, e não sei se este intervalo de tempo se irá confirmar, mas que é um vinho impressionante, e que muitos mais anos de vida terá pela frente, disso não tenho qualquer dúvida. Uma referência obrigatória em matéri de tintos portugueses.

     
     


    Produtor: Maria Antónia Pinto de Azevedo Mascarenhas
    Região: Trás-os-Montes
    Castas: Cabernet Sauvignon (predominante) e Tinta Amarela
    Produção: 3.991 garrafas
    Enólogo: Rui Cunha
    Preço Recomendado: 25,11 € (em www.estadoliquido.pt)

    Joh. Jos. Prüm Riesling Kabinett 2009

    Cor pálida, de reflexos esverdeados visíveis. Apresenta-se com um nariz bastante expressivo, em notas bem definidas de marmelo cozido, pêras e fruta em calda, alguma elegância. Na boca está bastante suave e redondo, o corpo é mediano, predominam as notas de alcaçuz, termina sem grande persistência, com pouca acidez e com o fundo ligeiramente doce em evidência.
     
    Conforme poderão consultar no site da Niepoort Projectos, Joh. Jos. Prüm é um produtor líder na região do Mosel e mesmo em toda a Alemanha, onde os seus Riesling são particularmente considerados. Nesta região alemã que geograficamente se situa mais a ocidente, o encepamento existente é maioritariamente Riesling (54%), embora outras castas estejam presentes como a Müller-Thurgau ou a Elbling.

    Dirk Niepoort aconselha a guarda deste vinho por mais de 5 anos, mas confesso que não consegui esperar tanto tempo... Acompanhou um prato de massa fresca com cogumelos salteados e gambas fritas em cerveja. Tenho de ser sincero: não gostei muito deste vinho... Faço desde já o mea culpa por o ter bebido tão cedo, certamente dentro de mais uns 3 anos as características de Riesling se pudessem sobrepor ao carácter mais doce e simples que apresenta neste momento, tornando-o mais complexo, mineral e equilibrado, mas neste momento, não aconselharia o seu consumo... Também é verdade que (nós portugueses) estamos pouco habituados a este estilo de vinhos mais doces, a regra de consumo são vinhos secos, que aprendemos a consumir e a harmonizar de um modo geral com pratos de peixe, marisco, carnes brancas, queijos pouco intensos, massas ou saladas. Beber este Joh. Jos. Prüm Riesling Kabinett 2009 foi nesse sentido uma pedrada no charco, um alargar de horizontes para parceber o que culturalmente, se consome noutro país europeu (e não só na Alemanha). Uma aprendizagem interessante, gostava de a repetir.
     
    Outras informações importantes para compreender este e outros vinhos alemães é a classificação adoptada naquele país da Europa Central. Temos assim 4 categorias qualitativas: Deutscher Wein (categoria inferior de vinhos, que poderá ser comparada ao nosso Vinho de Mesa, que obedece a poucas restrições), Landwein (trata-se também de Vinho de Mesa, mas com mais algumas restrições que a categoria anterior), Qualitätswein (vinhos de qualidade provenientes de uma região específica e obtidos a partir de castas autorizadas apenas) e Prädikatswein (qualidade superior).

    Esta última categoria, a mais importante, divide-se ainda em 7 diferentes níveis, que têm em conta a concentração e o estado de amadurecimento das uvas a partir das quais o vinho em questão é obtido, e que no fundo se traduz numa concentração maior ou menor de açucar no produto final. Por ordem ascendente: Kabinett (vinhos leves), Spätlese (Late Harvest), Auslese (vinhos nobres obtidos a partir de uvas muito maduras e seleccionadas), Beerenauselese (vinhos de sobremesa, obtidos a partir de uvas sobremaduras e seleccionadas individualmente), Eiswein (conhecido também como Ice Wine, vinhos pelo menos tão intensos quanto os anteriores e obtidos a partir de uvas colhidas e processadas enquanto congeladas) e Trockenbeerenauslese (colheita de cachos sobremaduros individualmente seleccionados, cujas uvas secam na vinha até ao estado de passas).


     
    Região: Mosel
    País: Alemanha
    Castas: Riesling (100%)
    Preço Recomendado: 18,74 € (http://www.niepoort-projectos.com/)

    Domaene Gobelsburg Riesling 2009

    Schloss Gobelsburg é o mais antigo produtor da região de Kamptal na Áustria, sem dúvida uma pérola da Europa central que vale a pena descobrir. Nesta versão Riesling da colheita de 2009, podemos apreciar um vinho de cor amarelo-palha, com a nota mineral dominante e bastante expressiva nos aromas, onde pontificam também sugestões tropicais como a manga, ou citrinas como o limão e a toranja. Na boca mostra-se uma branco de grande personalidade, corpo bem presente, volume envolvente e final cheio de especiaria branca, com boa acidez e comprimento assinalável. Harmonizou optimamente com uma posta de salmão grelhada na chapa e legumes salteados como parceiros. Ainda com longevidade previsível, encontra-se já num bom momento de consumo e proporciona grande prazer.

     


    Produtor: Schloss Gobelsburg
    Castas: Riesling
    Preço Recomendado: 9,86 € (em http://www.niepoort-projectos.com/)
    UA-64594990-1