Encruzado, se faz favor...

Disseram-me um dia (ou li, já não tenho bem a certeza...) que o Alvarinho era a casta mais cara do país.

Atentem bem, nem era a casta branca mais cara de vindimar.

Era a casta mais cara.

Ok...

Não tenho nada contra o Alvarinho, acho que há soberbos vinhos neste país e por esse mundo fora, feitos exclusivamente de Alvarinho. Mas onde eles sobressaem mais, na sua região de origem, nos Vinhos Verdes, eu prefiro a prima afastada, o Loureiro.

Isto tudo, esta longa e enfadonha dissertação acerca do Alvarinho, porquê?

Porque eu acho que a Encruzado devia ser a casta mais cara do país. Porque é de lá que saem os melhores vinhos brancos deste país. E disso, não tenho mesmo a menor dúvida.

Antão Vaz, Malvasia Fina ou Arinto, são grandes castas brancas e fazem grandes vinhos de norte a sul deste país, mas o Encruzado só se dá no Dão e mais nada consegue expressar o "terroir" tão particular, o mineral, o granito e a frescura que o Encruzado.

Este Encruzado da Quinta de Cabriz é um bom exemplo. Mineral, austero quanto baste e versátil.

Tão versátil que o Bacalhau com Natas, esfumou-se perante a frescura inebriante. É grande vinho. E não é um assalto á carteira. Ainda...


3 comentários:

  1. Amigo Pedro, apraz-me dizer que não concordo contigo nesta apreciação. Viva a diferença!!

    O Encruzado é de facto uma casta de eleição, e é verdade que à parte a sua expressão no Dão, não conheço nenhum vinho de outra região que a ostente no rótulo ou contra-rótulo... Também por isso mesmo, não tenho a certeza de que não se possa expressar grandiosamente noutros terroir, será algo a aferir no futuro.

    O Alvarinho, dá de facto vinhos extraordinários, não apenas no Minho, mas agora também noutras paragens (exemplo: Vinha de Saturno Branco, Portalegre, Alentejo). O Arinto dá também vinhos fabulosos (Morgado de Santa Catherina ou Sublime), o Antão Vaz (Paulo Laureano Escolha, Antão Vaz da Peceguina), enfim, muitos são felizmente os vinhos brancos extraordinário que temos no país, onde se incluem certamente diversos monovarietais de Encruzado, no entanto, parece-me que está longe de ser consensual que seja a melhor do país. Aposto que entre outros, só para falar de um enólogo, o Anselmo Mendes discordará facilmente contigo, e parece que o Curtimenta ou o Parcela Única são fortes argumentos... Mas também é verdade que Primus, Quinta dos carvalhais, Casa da Passarela, Quinta do Perdigão, Quinta da Boavista, Quinta dos Roques, Vinha Paz ou Quinta da Fata, só para citar alguns produtores com monovarietais de Encruzado, são capazes de ter bons argumentos. É experimentar tudo :-)

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    1. Amigo Micas, concordo quando dizes, "viva a diferença".

      Não tenho nada contra o Alvarinho, excepto quando a tentam vender como a melhor casta branca do país. Que faz bons vinhos, não tenho dúvidas, mas os exmplos que mostras(Parcela Unica, Curtimenta) são todos vinhos caros. O Alvarinho é uma casta cara, que nos vinhos mais baratos, na onda dos 4-6€ não mostra muito. Um Encruzado de 5€ é um vinho infinitamente superior, na minha opinião. E todos os exemplos que dás de Encruzados(com a excepção do Primus, que tem um preço obsceno!)são todos vinhos, entre 8 a 9 euros mais baratos que o Curtimenta, por exemplo!

      E depois, se toda a gente gostasse de vermelho, o que seria do azul, não é?

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  2. Concordo que o Encruzado é uma casta de eleição e adoro os seus vinhos, tanto da quinta de cabriz, quinta do cerrado, carvalhais mas quanto aos alvarinhos temos vinhos na gama dos cerca de 6€ de uma qualidade bastante franca, exemplos do tapada do fidalgo, deu la deu, Via Latina, muros antigos e contacto do Anselmo Mendes, Soalheiro, Dona Paterna, Senhoria vinhos que rodam os 7/8€ e são excelentes. Apesar que nao discordo que os encruzados são excelentes....pelo contrario!

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