Enoturismo:Tapada do Chaves

Tapada do Chaves: lendários vinhos alentejanos
Tapada do Chaves é um dos nomes icónicos do universo vínico português, um dos clássicos alentejanos que construiu uma aura de grande qualidade junto dos enófilos nacionais essencialmente nas décadas de 80 e 90, onde marcas como Reserva Frangoneiro despertam ainda hoje um misto de paixão e admiração. O slogan "lendários vinhos alentejanos" adequa-se por isso na perfeição a este produtor. No entanto, por motivos diversos, a Tapada do Chaves foi perdendo o recente comboio da grande exposição a que os vinhos portugueses têm sido sujeitos, não apenas em Portugal como no exterior do nosso país. Alguns dos vinhos de hoje falam por si, pelo que a marca merece voltar às luzes da ribalta e às mesas de enófilos e consumidores exigentes.

Colecção de vinhos clássicos e alguns prémios
O actual proprietário é o Prof. Orlando Lourenço, que controla ainda as marcas Raposeira (1,8 milhões de garrafas/ano) e Murganheira (1,1 milhões de garrafas/ano). A propriedade de 32 ha de vinhas produz vinho há quase 100 anos (desde 1920) e situa-se no Alto Alentejo, precisamente numa localidade designada como Frangoneiro, numa encosta da Serra de S. Mamede junto a Portalegre, perto da estrada que liga a capital distrital ao Crato. Como é sabido, a influência desta serra nas vinhas que lhe são próximas é uma espécie de varinha mágica de atributos como frescura, elegância ou suavidade e os Tapada do Chaves não fogem à regra, mesmo numa quota baixa. Com vinhas de idades entre os 15 e os 85 anos, os tintos são clássicos na casa, produzidos a partir das omnipresentes Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet e ainda Castelão.

Vinhos de outrora: Tapada do Chaves 1964 Branco
No dia em que decorreu a visita (13 de Fevereiro), a chuva intensa e abundante não permitiu que visitássemos as vinhas velhas da propriedade, pelo que nos centrámos apenas na adega e nas diversas áreas que a compõem. Arquitectura clássica, loja de vinhos, temperaturas ideais para o envelhecimento dos néctares na cave de barricas, armazém funcional e ainda uma zona bem aproveitada para sala de provas: fresca, mesa antiga de madeira e agraciada com uma tábua de enchidos, queijo e pão que acompanharam na perfeição um final de tarde bem agradável.Tudo simples mas memorável. Aqui ficam as principais notas de prova dos vinhos que chegaram à mesa.



Tapada do Chaves 2014 Branco
Lote de Arinto, Fernão Pires e Antão Vaz. Estagia 3 meses em garrafa. Um branco ainda em evolução com aroma fechado a deixar transparecer algumas notas levemente florais e ainda fruta amarela. A acidez é elevada e a estrutura encorpada assenta nas sugestões citrinas limonadas. Final algo curto. Será bom companheiro de entradas à base de marisco ou pratos de peixe.
Classificação: 15,0 valores
Preço Recomendado: 8,49 € (Garrafeira Soares)

Tapada do Chaves Reserva 2012 Tinto
Lote de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet. Estagia 8 meses em barrica e 6 em garrafa. Tinto ainda jovem e em evolução, onde predominam aromas elegantes de frutos vermelhos, compotas, cacau e ainda notas tostadas da madeira. A acidez é viva, corpo presente, taninos vivos e final médio. Para a mesa e combinará bem com pratos tradicionais do receituário alentejano como bochecha de porco preto estufada.
Classificação: 15,5 valores
Preço Recomendado: 12,30 € (Garrafeira Nacional)



Tapada do Chaves Reserva Vinhas Velhas 2010 Tinto
Lote de Trincadeira, Aragonez e Castelão. Uvas provenientes de vinhas com mais de 85 anos, com estágio de 8 meses em madeira nacional e 60 meses (5 anos) em garrafa. Tinto altivo, impositivo e ainda fechado, com sugestões de fruto azul e negro maduro, grafite e notas tostadas. Na boca é explosivo, acidez em alta, muito gastronómico, especiarias, complexo, tenso, estruturado e encorpado, longuíssimo final... Um tinto extraordinário que merece amplo destaque e vai ainda evoluir em garrafa. Muito bem. Acompanhará na perfeição um cabrito em forno a lenha.
Classificação: 17,0 valores
Preço Recomendado: 16,57 € (Winershop)

Termino este artigo com os agradecimentos ao João Conceição com quem agendámos a visita e à Nazaré Carmo, que tão bem desempenhou as funções de anfitriã e nos conduziu a tarde de provas. Um bem-haja a ambos. O último agradecimento vai para a minha parceira de provas nessa tarde, que muito contribuiu para um dia tão especial. Obrigado!

Enquadramento de algumas parcelas da vinha
Cave de barricas
Uma prova bem acompanhada

Artigo publicado no dia 24 de Agosto de 2016.


Lacrau Old Vines 2013 Branco - Sofisticação no Vale do Douro

Lacrau Old Vines 2013 - mais um belo branco do Vale do Douro
Os vinhos Lacrau representam uma das quatro marcas de vinhos ligadas à Secret Spot Wines, projecto da responsabilidade de Rui Cunha (enólogo) e Gonçalo Sousa Lopes (viticultor). As outras marcas do portefólio do produtor são Vale da Poupa, Crooked Vines e Secret Spot.

Deste branco de vinhas velhas (onde predominam a Códega do Larinho, o Folgasão e o Gouveio) proveniente da Quinta da Faísca, produziram-se apenas 2.624 garrafas e 21 magnuns, o que lhe confere uma aura de exclusividade significativa (a marca Crooked Vines eleva ainda mais o patamar de raridade). Não é muito fácil de encontrar, embora este exemplar tenha sido comprado numa grande superfície. Quanto à vinificação, fermenta e estagia sobre borras finas em barricas de carvalho francês. o que lhe confere algum volume, cremosidade e sofisticação, características notórias na prova de boca. Nos aromas sobressaem ainda as notas minerais, folha de limoeiro e fruta citrina. Trata-se de um branco com estrutura, afinado e sedutor, cujo longo final confirma a qualidade do trabalho da Secret Spot Wines no Vale do Douro.

Classificação Copo Meio Cheio: 16,5 valores
Preço Recomendado: 16,99 € (Winershop)
 
A prova do Lacrau Old Vines 2013 Branco abriu-me o apetite para a garrafa de tinto que aguarda pacientemente a sua vez na garrafeira. Dessa próxima prova darei nota em breve!

Uma rolha original


Contra-rótulo
Publicado em 17 de Agosto de 2016 
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