Tintos Em Prova: Duas Quintas 2006 e Cartuxa Colheita 2000

As duas surpresas reservadas na Casa do Penedo
Um pequeno período de férias trouxe-me até à região dos vinhos verdes, mais precisamente a Landim (freguesia de Lavradas), pequena localidade situada a cerca de 4 km de Ponte da Barca. Na magnífica casa onde passámos cerca de uma semana fora do rebuliço da cidade, uma surpresa aguardava a minha chegada. No interior da nossa habitação momentaneamente cedida, um pequeno bar de serviço continha algumas garrafas para usufruto dos hóspedes. Entre uma maioria de destilados de boa qualidade (para os apreciadores) todos com 12 Anos, como Chivas Regal, Logan, Cutty Sark, ou ainda uma pérola como a Aguardente Velha da Adega Cooperativa de Ponte da Barca, existiam umas poucas garrafas de vinho. Um olhar atento a estas últimas apanhou-me de surpresa: um Duas Quintas Tinto 2006 e ainda um Cartuxa Colheita Tinto 2000 encontravam-se entre as propostas da casa, e para um apreciador de vinhos mais "adultos" como eu (não sei se poderemos qualificar o Duas Quintas como vinho velho) o sonho da prova destes dois néctares instalou-se de imediato. São estas notas que vos trago hoje, numa boa oportunidade para avaliarmos a capacidade de evolução destes dois clássicos dos vinhos portugueses.

O Duas Quintas 2006 apresentou-se numa bela forma
Duas Quintas Tinto 2006
As uvas para este tinto vieram das Quintas de Ervamoira (150 metros de altitude) e dos Bons Ares (600 metros de altitude), que permitem a junção do clima quente e seco em terras de xisto e baixa altitude, com um clima mais fresco em terrenos graníticos numa altitude mais elevada. A casa Ramos Pinto utilizou as clássicas Tinta Roriz (40%), Touriga Nacional (20%) e Touriga Franca (40%), para dar vida a este óptimo exemplo de tinto duriense, que estagiou em cascos de carvalho francês (20%) e em cubas de inox antes de ser engarrafado 18 meses depois.

Nota de Prova: A cor é rubi com laivos acastanhados no rebordo, a denunciarem alguma idade. Notas de fruto maduro como ginja, ameixa, folha de tabaco e fumado ligeiro dominam um aroma sedutor, complexo e prometedor. A prova de boca mostra um tinto de meio-corpo, seco, algo texturado e denso com final de bom comprimento. A prova parece sugerir um ano mais quente na região em que o estilo “ervamoira” se sobrepõe ao estilo “bons ares”.  Classificação: 16,5 valores

Uma prova interessante a mostrar um vinho com 10 anos e ainda em forma, no entanto, a minha sugestão seria consumir as garrafas que ainda existirem por aí. É verdade que com base numa única colheita é sempre difícil avaliar a real capacidade de envelhecimento de uma determinada referência, mas o meu conselho seria consumir em cerca de 6-8 anos para aproveitamento máximo do potencial do vinho.

O Cartuxa Colheita 2000 mostrou óptima capacidade de guarda
Cartuxa Colheita Tinto 2000
Esta é uma marca charneira não apenas dos vinhos do Alentejo, como dos vinhos portugueses, e foi produzido pela primeira vez em 1986. Este tinto de 2000 foi vinificado com uma associação das castas alentejanas Aragonez, Trincadeira, Tinta Caiada, Castelão e Alfrocheiro e teve acabamento em madeira de carvalho seguido de estágio em garrafa. 

Nota de Prova: No copo denota cor granada acastanhado, a revelar um vinho com alguns anos mas bem composto. Nos aromas as notas oxidativas não se sobrepõem a um registo complexo, terroso, assente em notas fumadas, iodo, cereja vermelha e couro. Na boca está belíssimo, meio-corpo, ainda alguma acidez a segurar uma prova com arestas que lhe dá muita personalidade. Muito bem para um vinho com 16 anos, podem comprar os exemplares que por aí restarem... Classificação: 17,0 valores

Um grande tinto alentejano ainda em muito boa forma. Como de costume, não será do agrado de todos, mas para os apreciadores de grandes vinhos menos novos, faz uma bela prova...

A Casa do Penedo - Landim, Lavradas (Concelho de Ponte da Barca)

Não poderia deixar de terminar este texto com a referência à Casa do Penedo, um local extraordinário que serve na perfeição de quartel-general a um período de descanso em pleno Minho. Uma casa de férias completa, onde não falta muito espaço, decoração cuidada e criativa, conforto e uma bela piscina para uma recuperação plena de energias. Ficou na memória, mesmo da minha filha de dois anos que recorrentemente nos fala com carinho da "casa das férias". Deixo aqui os contactos do anfitrião André Carneiro:

Localização: Landim - Lavradas, 4980-414 Ponte da Barca
Contacto: 969876347
E-mail: casadopenedo.alojamento@gmail.com
Site: www.casadopenedo.com


Grandes tintos em prova: Duas Quintas 2006 e Cartuxa Colheita 2000

Artigo publicado dia 31 de Julho de 2016

Três Bagos: apresentação das novas colheitas

A gama de vinhos Três Bagos pertence à Lavradores de Feitoria, um projeto único e que resulta da união de 15 produtores, proprietários de 18 quintas distribuídas por três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior) e que no total somam mais de a 600 hectares de vinha.
 
À prova estiveram as novas colheitas do Três Bagos Branco 2015 (Viosinho Gouveio e Rabigato), Três Bagos Sauvignon Blanc 2015, Três Bagos Reserva Tinto 2011 (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca), Três Bagos Grande Escolha 2011 (Vinhas Velhas), e também o Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado 2005 (Vinhas Velhas).
 
Nos brancos nota comum para a frescura, o equilíbrio e boa integração da madeira. São vinhos versáteis, tanto para a mesa como para beber a solo, e com uma boa relação preço qualidade (cerca de 6,5€ para o Branco e cerca de 9-10€ para o Sauvignon Blanc).
 
Nos tintos nota comum para a exuberância e para o carácter frutado. O Reserva Tinto apresenta um registo mais fresco e com uma boa relação preço/qualidade (cerca de 9-10€). Os Grande Escolha estão num patamar diferente, vinhos complexos, ricos, intensos e que ganham muito com o tempo em garrafa. Destaque para o Três Bagos Grande Escolha 2011, um vinho enorme e com grande potencial de evolução.
 




Mais informações em http://www.lavradoresdefeitoria.pt/pt/
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