Três Bagos: apresentação das novas colheitas

A gama de vinhos Três Bagos pertence à Lavradores de Feitoria, um projeto único e que resulta da união de 15 produtores, proprietários de 18 quintas distribuídas por três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior) e que no total somam mais de a 600 hectares de vinha.
 
À prova estiveram as novas colheitas do Três Bagos Branco 2015 (Viosinho Gouveio e Rabigato), Três Bagos Sauvignon Blanc 2015, Três Bagos Reserva Tinto 2011 (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca), Três Bagos Grande Escolha 2011 (Vinhas Velhas), e também o Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado 2005 (Vinhas Velhas).
 
Nos brancos nota comum para a frescura, o equilíbrio e boa integração da madeira. São vinhos versáteis, tanto para a mesa como para beber a solo, e com uma boa relação preço qualidade (cerca de 6,5€ para o Branco e cerca de 9-10€ para o Sauvignon Blanc).
 
Nos tintos nota comum para a exuberância e para o carácter frutado. O Reserva Tinto apresenta um registo mais fresco e com uma boa relação preço/qualidade (cerca de 9-10€). Os Grande Escolha estão num patamar diferente, vinhos complexos, ricos, intensos e que ganham muito com o tempo em garrafa. Destaque para o Três Bagos Grande Escolha 2011, um vinho enorme e com grande potencial de evolução.
 




Mais informações em http://www.lavradoresdefeitoria.pt/pt/

Ponte das Canas 2008 - Prova do Tempo

Quantos de vós conhecerão esta marca de vinho? Aposto que poucos... E quantos reconhecerão o nome Mouchão? Muitos, não é verdade? Pois é...



Até à alguns anos existiam apenas duas referências de tintos desta emblemática e histórica propriedade alentejana: o Dom Rafael (cujo preço ronda os 9,00 €), um vinho com um binómio qualidade-preço muito aceitável, e o Mouchão (cujo preço ronda os 34,00 €), esse clássico de entre os clássicos vinhos portugueses. Excluo desta curta lista quer o topo de gama Herdade do MouchãoTonel n.º 3-4, uma vez que não é feito todos os anos, e também o Mouchão Colheitas Antigas, que é "apenas" o Mouchão normal, mas envelhecido na propriedade em garrafa e comercializado 10 anos depois da respectiva colheita (com preço a condizer). Analisando os preços recomendados dos primeiros dois vinhos que indiquei, faltava ao portefólio da Herdade do Mouchão um vinho intermédio, que fosse de encontro aos anseios de consumidores e enófilos com a vontade de subir alguns patamares relativamente ao Dom Rafael, mas sem disponibilidade financeira para investirem com muita frequência num Mouchão.


Assim surge o Ponte das Canas, um tinto cujo preço ronda os 16,00 €, sóbrio e personalizado, elaborado a partir de um lote com Alicante Bouschet (obrigatório aqui!), as Tourigas Nacional e Franca e ainda Syrah. Envelhece no mínimo 12 meses em barricas novas de 300 litros e posteriormente mais 12 meses em garrafa. O resultado pretendido é por isso bastante ambicioso, e estamos na presença de uma valor seguro ao nível do perfil demonstrado. Outro ponto (muito) positivo é a beleza da rotulagem da garrafa: tal como o vinho, muito personalizada, assente num rótulo minimalista onde num fundo branco sempre de grande elegância, se destaca a marca, o ano de colheita, e o produtor. Simples, atractivo, eficaz.

Esta colheita de 2008 apresenta-se bem viva passados 8 anos, com um nariz austero, aromas de tinta-da-china, minerais e sugestões de cereja preta e fruto do bosque. Na boca o corpo é bem proporcionado, apresenta um perfil equilibrado na acidez e nos taninos e ainda um longo final envolvido em amargos vegetais que lhe dão um tom muito sério. Um perfil que não agradará a todos mas que faz dele grande companheiro à mesa, para pratos de sabores fortes, como bochecha de porco preto...

Classificação Copo Meio Cheio: 16,5 valores
(Data da prova: Julho de 2016)


UA-64594990-1