Wine Fest 2016

Perto de 30 produtores, representantes da quase totalidade das regiões de Portugal, estiverem presentes no Wine Fest 2016, que se realizou no Hotel Ritz Four Seasons em Lisboa no passado dia 16 de abril. A organização deste evento está a cargo do Wine Club Portugal (www.wineclubportugal.pt).
 
Vinhos para todos os gostos, boa afluência de público, espaço agradável e um ambiente descontraído, foi este o resultado do Wine Fest 2016 que será para repetir no próxima edição.
 
Falando dos vinhos, e daquilo que provamos, o nosso destaque vai para Riesling 2015 da Herdade do Arrepiado Velho, que embora ainda muito jovem mostrou um perfil muito interessante para a casta, fresco e que irá evoluir bem nos próximo anos, Rosé Vulcânico da Azores Wine Company, que será talvez um dos rosés mais interessantes que tive a oportunidade de provar e a mostrar toda a influência da região, com uma acidez e frescura marcadas pela influência marítima. Da Beira Interior, o Espumante Almeida Garret Bruto Natural Super Reserva 2010 e o Almeida Garret Chardonnay proveniente de vinhas antigas, vinho guloso e uma relação preço/qualidade invejável. Para terminar a prova não podiam faltar os vinhos da Barbeito (Madeira), com destaque para o fantástico o Malvasia 2002, puro prazer e mais não digo.

(Casa de Saima, Bairrada)

 (Herdade do Arrepiado Velho, Alentejo)

 (Azores Wine Company)

 (Valle de Passos, Trás-os-Montes)

(Barbeito, Madeira)


Mercado Gourmet do Campo Pequeno 2016

O EVENTO

Os dias 04, 05 e 06 de Março 2016 foram palco de mais um Mercado Gourmet do Campo Pequeno, evento sempre aguardado com alguma expectativa por enófilos e gastrónomos em geral. Este é um evento que convida à descoberta de novos sabores, texturas, e para os enófilos, representa uma boa oportunidade não apenas para conhecer alguns novos projectos, mas também para voltar a provar vinhos e conversar com caras bem conhecidas do ramo vitivinícola nacional.

Nesta edição de 2016 e à semelhança do que já tinha acontecido em 2015, o primeiro piso do Campo Pequeno recebeu cerca de 40 produtores e representações comerciais, entre vinhos, licores e azeites, ficando o piso térreo destinado aos produtos alimentares como compotas, queijos, enchidos, chocolates, doçaria variada ou mel.





VINHOS EM PROVA

O Copo Meio Cheio fez-se representar neste Mercado como habitualmente, e provámos algumas coisas bem interessantes das quais vos deixo a seguir as minhas principais notas. O destaque em formato Top 3 vai para alguns vinhos raros (e outros menos raros) comercializados pela Garrafeira Estado d'Almapara as muitas referências em prova do produtor Fita Preta / Maçanita e ainda para uma novidade absoluta: Quinta da Confeiteira.
Provámos ainda os vinhos de Rui Virgínia da Quinta do Barranco Longo (Algarve), que se mostraram em boa forma (nomeadamente o Remexido Branco); os brancos da empresa Morais Rocha (JJ Branco 2012 e Herdade dos Veros 2012) vindos do Alentejo, os vinhos da Quinta dos Plátanos, com a base dos brancos assente no Arinto (vinhos com alguma austeridade mineral, bem desenhados); os vinhos durienses Ouro do Monte; os alentejanos biológicos da Herdade dos Outeiros Altos (do Monte da Tapada Nova em Estremoz, vinhos francos e directos, sem artifícios, mas aos quais falta alguma complexidade - destaque para o branco feito com uvas tintas) e ainda alguns dos tintos DOC Douro Vasques de Carvalho (Oxus 2012, XBardos 2012 e Velhos Bardos Reserva 2013).

 
Garrafeira Estado d'Alma

Em ambiente descontraído e sempre com a conversa muito animada à volta do tema do costume, provámos com o Tiago Paulo e com o João Chambel alguns vinhos dignos de registo, nomeadamente pelo prisma da diferença, curiosidade e surpresa. Iniciámos esta pequena viagem com um desconhecido Casal da Manteiga Galego Dourado 2012 da região de Lisboa, uma raridade muito mineral mas sem excessos, um branco versátil. Depois outra raridade: Casal de Santa Maria Orange 2009, um vinho difícil de classificar, desconcertante, com o aroma propositadamente marcado pelo brett (suor de cavalo) e que garante discussão e falatório na mesa por onde passar. Depois de outras provas como a do Solar de Merufe Espumante 2001 (Vinhos Verdes), do São Domingos Garrafeira Especial 1983 Tinto (um Dão em grande forma com os taninos bem salientes e muita vida!) ou do Constantino Dão Garrafeira 1966, chegou a surpresa da prova: Niepoort Projectos Touriga Nacional 2012 (Bairrada), uma edição limitada a 2016 garrafas e exclusivamente produzida para a Garrafeira Estado d'Alma. Quem já provou o vinho talvez fique surpreendido pela minha escolha, mas passo a explicar: o que me surpreendeu neste vinho foi a expressão de terroir, aqui sente-se a região mais do que a casta, é claramente um vinho bairradino equilibrado e intenso, mais do que um monovarietal de Touriga Nacional (a expressão floral clássica da casta é harmoniosa e menos exuberante do que é costume). Junte-se a este perfil um preço muito democrático (6,95 €) e temos aqui um pequeno achado.
 
 


 
Fita Preta Vinhos / Maçanita - Irmãos e Enólogos

A equipa da Fita Preta presente no Mercado recebeu-nos com o entusiasmo e dinamismo que caracteriza todo o projecto. Provámos alguns vinhos dignos de relevo, nomeadamente o Sexy Cuvée Grande Reserva Tinto 2013 Explosion D'amour, que me conquistou e surpreendeu. Partes iguais de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional deram origem a um vinho muito intenso, altamente especiado, encorpado e personalizado. Encontra-se ainda a crescer na garrafa e o melhor momento estará para chegar (2020??). Há que esperar por ele pois desconfio que irá dar imenso prazer! Provámos ainda o Fita Preta Baga ao Sol 2013 (unoaked), o Palpite Grande Reserva 2013 Tinto (muito afinado) e o Palpite Reserva 2014 Branco (cremoso, intenso e complexo). Um projecto que continua a dar ao mercado grandes vinhos.






Quinta da Confeiteira

Em boa hora passámos pelo stand deste novo produtor, foi precisamente a última paragem antes de sairmos do Mercado e valeu muito a pena. A Quinta da Confeiteira é uma pequena propriedade de 5 hectares próxima de Évora, na zona antiga da Pêra Manca. As vinhas foram reestruturadas em 2009 e depois disso os primeiros vinhos (apenas se produzem tintos) são os da colheita de 2013, chegando agora à comercialização em 2016. O design é extraordinariamente apelativo, sofisticado e bem conseguido, diferenciando estes rótulos de quaisquer outros numa prateleira. O conceito é também original, jogando com os cinco elementos e palavras em latim que se relacionam com cada um, de acordo com o perfil do vinho em questão.

Provámos primeiro o Circii 2013 (latim para vento de noroeste - elemento do vento, PVP: 7 €), um blend de Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Aragonez, do qual se produziram 6667 garrafas. O vinho foi engarrafado em Novembro de 2014 e teve depois um ano de estágio em garrafa. Preço muito adequado para um vinho muito versátil à mesa sempre com o carácter Alentejo bem presente.

Provámos em segundo lugar o Deluto 2014 (latim para barro, elemento da terra, PVP: 13 €), um blend de Aragonez, Syrah e Alicante Bouschet, do qual se produziram apenas 2667 garrafas. O vinho fermentou em talhas e estagiou em barricas de 400L por 6 meses, sendo posteriormente engarrafado em Julho de 2015. Confesso que me impressionou o equilíbrio revelado por este vinho, onde o trabalho em talha foi devidamente equilibrado pelo estágio subsequente.
 

O último vinho da Quinta da Confeiteira que provámos foi o Incendi 2013 (latim para queimado, elemento do fogo, PVP: 11 €), um blend de Touriga Franca, Aragonez e Syrah, do qual se produziram 6667 garrafas (à semelhança do Circii). Um vinho que fermentou em cubas e que estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, tendo sido engarrafado em Julho de 2015. Um tinto que está a crescer na garrafa e que se irá revelar ainda mais intenso dentro de pouco tempo.

Confesso que o Deluto foi o meu vinho favorito da prova, embora haja um fio condutor entre as três referências, que se traduz em vinhos sérios, com muita garra e cheios de personalidade. Tintos gastronómicos, modernos e versáteis, trabalhados para expressarem o seu terroir de origem, que irão casar na perfeição com as iguarias da mesa alentejana. Muito bem. Para breve duas novidades já muito aguardadas: um vinho relacionado com o elemento da água e outro relacionado com o elemento do Céu. Cá estaremos.


E assim chegou ao final mais um Mercado Gourmet do Campo Pequeno, evento a que o Copo Meio Cheio conta voltar no próximo ano de 2017, para mais novidades e mais provas ímpares. A organização está de parabéns e a iniciativa merece nota muito positiva. Para continuar!




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