Quinta da Invejosa Reserva 2009 (Tinto)

Conforme podemos ler no site do produtor Filipe Palhoça, "trata-se de uma empresa familiar ligada há mais de 30 anos à viticultura e produção de vinhos (...) nova adega em 1984, na Quinta da Invejosa, freguesia Poceirão". Falamos de cerca de 80 hectares de vinhas, que dão origem a cerca de 800.000 litros de vinho por ano, a maior parte do qual dirigido para Bag in Box (BIB), segundo a Revista de Vinhos (N.º 292, Março de 2014).

Já há algum tempo que sigo este produtor, desde uma pequena prova cega nas Vindimas de Palmela com vinhos DOC Palmela (pelo menos 85% do lote composto por Castelão), que já terá ocorrido há uns bons três ou quatro anos... Nesta prova (de seis referências), o vinho de que mais gostei foi precisamente um Quinta da Invejosa Reserva, eventualmente da colheita de 2007, mas de facto não consigo precisar...

A verdade é que desde então, dos diversos vinhos que provei, essencialmente nas diversas Feiras do Pão, do Queijo e do Vinho (evento anual na Quinta do Anjo), não me entusiasmaram, e por isso este produtor não se cotava entre as minhas preferências para a região da Península de Setúbal.

A recente prova de diversos vinhos efectuada pela Revista de Vinhos na região, algumas das pontuações atribuídas e essencialmente os rasgados elogios de João Afonsome aguçaram o apetite para alguns néctares que pouco comunicavam com a minha curiosidade enófila. Este era um deles, e agradeço desde já ao meu amigo Jerónimo a aquisição desta garrafa precisamente na última edição (20.ª) do Festival Pão, Queijo e Vinho, que se realizou entre 4 e 6 de Abril.

A prova foi uma bela surpresa, e superou as minhas expectativas. Aqui vos deixo também as minhas principais notas, na esperança de que vos aguce igualmente o apetite, e vos convença a experimentarem esta referência que dá de facto, muito prazer à mesa.

O Castelão vive, e de boa saúde. Saudações enófilas!!

Fruta preta madura exuberante no nariz, amoras, mirtilos, leve nota vegetal na base, especiarias e ainda o tostado da barrica, muito sedutor e atraente. O corpo é de médio porte, estruturado, taninos afinados, agradável na boca com final de bom comprimento, sempre focado na fruta madura, persistente, personalizado, muito interessante!
 
 


Preço Recomendado: 6,00 € (Filipe Palhoça)

Assuntos de Família: Caios 2010 Branco & Anima L7

O que têm em comum a Herdade do Cebolal e a Herdade de Portocarro, perguntarão os nossos leitores e seguidores? A resposta é simples: Luis Mota Capitão, enólogo e produtor da primeira, é sobrinho de José da Mota Capitão, produtor da segunda. Em comum têm ainda a paixão pelo vinho, bem como a apetência para a produção de vinhos de qualidade, que reflectem as particularidades dos diferentes terroir que lhes dão origem. Ambas as propriedades se situam genericamente na vasta região da Península de Setúbal, embora em localizações mais a sul (Santiago do Cacém e Torrão, respectivamente), e não posso deixar de admitir que são dois dos meus produtores favoritos da região, completando um largo grupo que conta ainda com Vinhos Damasceno, António Saramago e os "gigantes" José Maria da Fonseca, Bacalhôa e Casa Ermelinda Freitas.
 
Aqui vos apresento um vinho de cada um dos dois produtores acima mencionados, que provei há algum tempo e que por motivos distintos vieram mais uma vez confirmar a excelência dos respectivos terroir. Óptimas provas...
 
 
O Caios apresenta-se com uma cor amarelo-vivo. No nariz é elegante, com flor de laranjeira no primeiro impacto e notas tropicais (papaia) a envolverem-se depois alegremente nos citrinos. O corpo médio mas bem estruturado dá o mote na boca, o registo mantém-se vivo e impositivo, bela acidez e algumas sugestões minerais em diálogo constante. Termina especiado, levemente picante, com óptima persistência.
 

Este Caios 2010 confirmou os predicados que já lhe conhecia. Um vinho superior, um óptimo exemplo daquilo que se pode conseguir na região em matéria de brancos, sobretudo com a localização privilegiada da Herdade do Cebolal, com a influência atlântica ali à porta. Esperava um vinho mais gordo ainda assim, mas o perfil é todo mineral e citrino, embora suportado numa estrutura musculada, personalizada. Excelente, não foi todavia a melhor companhia para uns Pargos ao Sal, pede antes peixes mais gordos (salongo, dourada, cherne) ou de sabor mais intenso (salmonete). Fica para a próxima, tenho é de comprar mais umas garrafitas...

 
 

 
O Anima no copo apresenta-se vermelho-escuro, com reflexos acastanhados. Nos aromas as notas de terra, húmus e alguma madeira dominam um bouquet complexo que denota a evolução na garrafa. O ataque é vivo e especiado, a acidez está presente mas bem integrada. Aqui há frescura e personalidade, corpo médio, taninos suaves e uma final de bom comprimento focados nos tostados da madeira. Está num bom momento de consumo e deu uma prova melhor do que esperava!

 
 
Caios 2010 Branco
Produtor: Soc. Agric. Herdade do Cebolal
Castas: Arinto e Antão Vaz
Região: Península de Setúbal
Preço Recomendado: 14,90 € (Club del Gourmet - El Corte Inglês)
 
Anima L7 (Vinho de Mesa Tinto)
Produtor: José da Mota Capitão (Herdade de Portocarro)
Castas: Sangiovese (100%)
Enólogo: Paulo Laureano
Preço Recomendado: 27,60 € (Garrafeira Nacional)
 

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