Herdade do Meio Pinot Noir 2003

Ao deitar no copo, a cor não engana. Vem nos livros, esta auréola cor-de-tijolo em volta de um centro vermelho-escuro, característica de vinhos com alguma idade. Este tem, pois as uvas que lhe deram origem foram colhidas há pouco mais de 10 anos. No aroma o primeiro impacto é especiado, embora pouco intenso, mas parece haver ainda alguma fruta por aqui. Após agitação, as sugestões de terra molhada, húmus e couro são as notas dominantes no bouquet, sempre num registo suave. Na boca o ataque é picante, com intensidade crescente, corpo delgado, embora com alguma acidez ainda presente. O final é personalizado e de bom comprimento, envolvido novamente em especiarias (cravinho). O Herdade do Meio Pinot Noir 2003 está vivo e continua a desafiar o tempo. Extraordinário.
Este é um vinho especial para mim. Conhecemo-nos pela primeira vez há alguns anos e desde esse primeiro encontro até hoje, poucos vinhos me impressionaram tanto. Nessa altura, a estrutura densa, a complexidade de aromas e a força do final extremamente impositivo foram atributos que me deixaram perplexo para um 100% Pinot Noir feito em Portel, no Alentejo. Foi uma das mais inesperadas experiências de prova que tive. A amizade e respeito por este néctar manteve sempre esta última garrafa na garrafeira, até ontem. Chegou a altura de nos despedirmos, e confesso ter sido um momento especial, nomeadamente porque a sociedade agrícola que lhe esteve na origem já não existe, e por isso este é um vinho irrepetível. Esteve na agenda a edição de 2006, mas nessa altura já as complicações financeiras assolavam a Herdade do Meio...

Fica aqui o meu tributo a todos os que contribuíram para esta minha experiência, e para a de todos quantos tiveram o verdadeiro privilégio de provar este vinho único.

Até sempre, velho amigo.
 
 
 
 



Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo
Região: Alentejo
Castas: Pinot Noir (100%)
Enólogo: António Saramago 
Produção: 5.000 garrafas
Preço Recomendado: 35 € (Winept - Selecção de Janeiro de 2006)
 
Miguel Zegre escreve de acordo com a antiga ortografia

Casal Figueira Vinhas Velhas 2010 Branco

No copo apresenta-se de cor amarelo-claro. O primeiro impacto no nariz faz lembrar vagamente chardonnay fermentado em barrica, contido, floral e frutado, o destaque vai para os citrinos nas notas suavemente limonadas, muito elegante. No palato mostra-se equilibrado, alguma acidez confere vivacidade, há aqui algumas especiarias, o final médio confirma um branco personalizado e comunicativo que deixa a sua marca. 
 
Este vinho é bem conseguido e exprime as belas características das vinhas velhas de Vital que lhe deram origem. Não há artifícios, é uma aposta segura.
 
Para constar da garrafeira, acompanha bem pratos de massa e peixe de qualquer estilo, mas será um complemento de valor acrescentado a pratos mais delicados, como o de hoje (Filete de espada preto com molho à bulhão pato e courgettes grelhadas com tomilho e azeite). Uma delícia!
 
 
 
 

Produtor: António Augusto L.F. Carvalho, Herdeiros
Castas: Vital (vinhas Velhas)
Região: Lisboa
Preço Recomendado: 10,40 € (http://tascadojoel.blogspot.pt)
Miguel Zegre escreve de acordo com a antiga ortografia


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