O Dão pode não ser a galinha dos ovos de ouro, mas ...

Começo com este título, uma óbvia provocação ao meu "afilhado" e companheiro de muitas aventuras vínicas e não só, Miguel Zegre, porque se a desilusão(aparente apenas...) acerca dos potenciais de longevidade dos néctares tintos do Dão(eu continuo a acreditar que os brancos no Dão, serão sempre superiores aos tintos, em claro contra ciclo da norma nacional!) deu para escrever um post acerca disso mesmo, eu não posso de deixar de fazer exactamente o oposto.

Surgiu muito recentemente a oportunidade de provar um Dão que nunca tinha passado pelos lábios. A tentação de abrir um Bairrada clássico(reserva, por sinal e de um bom ano como 2008!) foi controlada e em opção foi aberto este soberbo tinto.

Mais jovem, mais soft e muito apelativo do que o portento de Baga/Touriga Nacional que me esperava, caso tivesse optado pelo bairradino, fiquei satisfeito. Acompanhou superiormente a primeira feijoada do ano pós-verão e apenas posso recomendar, recomendar, recomendar...






Dolium Reserva 2007 Tinto (Notas de Prova)

Cor vermelha-escura. A fruta irrompe pelo nariz em notas de frutos vermelhos maduros como cereja e ameixa. A acidez está viva no palato, taninos suaves e corpo médio, bom equilíbrio no conjunto, sugestão de framboesa, termina com médio comprimento em suaves amargos.
 
Um vinho especial, uma noite de convívio. O pano de fundo para a degustação deste Dolium Reserva 2007 Tinto foi o do costume: boa gastronomia e muita amizade. No capítulo da amizade, um agradecimento muito especial ao nosso grande amigo Nuno Pereira, que trouxe os dois belos polvos que foram a base do prato principal, um já clássico "Polvo à Lagareiro", opção que se presta especialmente à harmonização com tintos de excepção.
 
Já por algumas vezes esteve na calha abrir uma das 2 garrafas que tinha (agora resta-me outra) deste tinto alentejano, mas nunca se havia proporcionado... Este D.O.C. Alentejo apresentou-se num momento de consumo muito apropriado, tenho dúvidas sobre o que possa ganhar com mais tempo de estágio. Sedutor nos aromas envolventes, há camadas sobrepostas, um desafio que se prolonga numa boca mais austera, o lado sóbrio assente em acidez bem proporcionada relativamente ao corpo presente mas elegante. Um bom exemplo daquilo que o Alentejo pode proporcionar, mas talvez num patamar de preço algo excessivo. Não restam muitas dúvidas sobre os "mimos" com que o enólogo presenteou as 6.600 garrafas produzidas antes de as comercializar (fermentação maloláctica em barricas novas de carvalho francês e americano por 18 meses, mais outro tanto de estágio em garrafa), que serão a principal justificação para os cerca de 30 € que custa, mas é um luxo, apesar de não ser nenhum Vinea Julieta Talhão 24... Em suma, um bom vinho, o Alentejo clássico bem representado.

 
 


 
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Região: Alentejo
Castas: Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet
Enólogo: Paulo Laureano
Produção: 6.600 garrafas
Preço Recomendado: 29,30 € (http://www.coisasdoarcodovinho.pt)
 
Miguel Zegre escreve de acordo com a antiga ortografia.

UA-64594990-1