Primeiro, porque me faltam as bases teóricas/práticas deste mundo dos vinhos. Não frequento workshops, não faço cursos de vinho e começo a rir-me quando leio apreciações a vinhos, como se estivessem a ler um parágrafo qualquer de Henry Miller ou Alberto Morávia.
Considero que aqueles que o conseguem fazer sem se rir e pasme-se, entender aquilo tudo que ás vezes é dito ou escrito, seres imensamente mais iluminados que este ignorante e pobre escriba de algibeira.
Segundo, porque a minha experiência com vinhos italianos é muito limitada e com a casta SanGiovesse, ainda mais limitada é. Nunca tinha provado um e se o provei, fi-lo ás cegas e não me recordo de tal momento.
O que até pode ser uma coisa boa, porque o ponto de comparação é ... ridículo!
Não tenho bem presente quando o comprei, mas tinha um autocolante na lateral que dizia, "2012".
Estamos em 2013, portanto já passei a minha primeira data por um ano. O que dizer?
É um vinho sobre o qual não tenho bases para me sustentar por que é algo, pelo menos para mim, completamente extraterrestre para o meu palato.
Tem uma cor muito aberta, um vermelho muito pouco carregado, mas muito bonito. Assim que o abri, veio uma descarga de pimentas e frutos vermelhos pelo nariz acima, que até fiquei zonzo.
Depois... depois é que foi um sarilho!
Não era adstringente, nada disso, mas tinha uma acidez muito marcada e fiquei logo a pensar que o tinha aberto cedo demais. Foi ao decanter, é certo, mas não o ajudou muito. Nem o prejudicou, atenção!
As pimentas baixaram um pouco o volume, ao fim de um bocado no copo e os frutos vermelhos desalmados de atenção, deram espaço a um perfume de primavera(estão a ver? momento Henry Miller!), muito suave e sedutor.
Fiquei muito, mas mesmo muito contente de o ter aberto e de ter acompanhado, com um "savoir-faire" digno de um gentleman victoriano, um soberbo Lombo de porco com farinheira. E um queijo de pasta mole. E a sobremesa. E o dez minutos de silenciosa contemplação na minha varanda. A minha vizinha da frente deve pensar que eu sou doido, por ter ficado tanto tempo a olhar para um copo de tinto, mas pronto...
Quem o tem na garrafeira, abra-o. Se tiverem duas garrafas, façam-no na mesma, mas guardem uma para daqui a uns anos. E depois digam qualquer coisa.

