Harmonizações em Casa

Por vezes em nossa casa, gostamos de preparar um jantar mais especial, com o intuito de partilhar com aqueles que nos são mais próximos um bom momento gastronómico, de descoberta, de novos sabores, texturas e harmonizações. Para estas ocasiões, a escolha dos vinhos para a refeição é sempre crucial e precedida de alguma reflexão, culminando em escolhas que às vezes  correspondem (mais ou menos) aos nossos desejos...
 


 
Este jantar foi uma dessas ocasiões, que serviu de celebração para um noite simplesmente especial, para partilhar com a minha esposa. O menu compôs-se de um carpaccio de maçã e queijo de cabra como entrada, e para o prato principal tagliatelle de peru com molho de cogumelos.
 
Para acompanhar o carpaccio seleccionei um espumante Marquês de Marialva Bical 2007 (produzido pela Adega Cooperativa de Cantanhede na região da Bairrada, PVP 9,99 €),  que se apresentou no flute com bolha viva, numa bela cor amarelo-pálido. Nariz a incidir na fruta amarela, marmelo cozido, panificação e tosta. Na boca a cremosidade domina um conjunto gastronómico, vivo e crocante, acidez bem integrada, terminando redondo sobre sugestões tropicais (ananás). Como sou adepto das harmonizações em contraste, penso que a ligação podia ter sido melhor conseguida, com um branco elaborado a partir de Antão Vaz ou Viosinho por exemplo, uma vez que a acidez bem vincada da maçã e do queijo de cabra limitou a expressão do espumante bairradino.



Na fase seguinte, o Quinta dos Carvalhais Alfrocheiro 2006 (produzido pela Sogrape na região do Dão, PVP 12,83 €) acompanhou o prato principal. Grande era a expectativa sobre o comportamento deste vinho à mesa, uma vez que a Quinta dos Carvalhais é um dos produtores mais consistentes no mercado nacional do ponto de vista qualitativo. De cor granada, este tinto  presenteia o nariz com aromas de fruta vermelha bem madura e óptima frescura dada por sugestão de folhas de menta. A frescura mantém-se na boca, bela acidez e vivacidade, notas minerais, taninos integrados, final médio a longo envolvido em fumados e alguma fruta. Vinho gastronómico quanto baste, harmonizou bem com o tagliatelle (nomeadamente com o molho de cogumelos), embora um prato baseado nas carnes vermelhas pudesse enfrentar os seus taninos com outras armas.

 

As receitas sugeridas no site da Sogrape (http://www.sograpevinhos.eu/gourmet/vinhosereceitas) serviram de base para a elaboração deste jantar, e por isso aqui vos deixo o link para poderem também investigar.

Adegga Summer Wine Market 2012 - Artigo 3/3

Azamor Wines - Alentejo
A Herdade do Rego, propriedade com 260 ha situada numa zona alta entre Borba e Elvas, foi comprada em 1998 pelo casal Luiz Gomes, formado por Alison e seu marido Joaquim. Do total da área da herdade, "apenas" 27 ha se encontram plantados (desde 2001 e 2002) unicamente com cepas tintas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot e Petit Verdot), e a construção da moderna adega ficou concluída em 2007. Trata-se de um terroir único, bem expresso na personalidade dos vinhos que tivemos o privilégio de provar na companhia de Alison Gomes. Aqui estão as principais impressões:


 
Azamor Colheita 2008
Este é o vinho que apresenta o portefólio Azamor e que resulta de um blend bastante complexo. De cor rubi, revela aromas bastantes frescos entre as notas vegetais, minerais e a fruta madura, evoluindo na boca para sabores complexos focados na fruta, finalizando com persistência muito agradável e suave balsâmico. (Preço recomendado: 7,50 € no El Corte Inglês).

Azamor Selected Vines 2007
Cor rubi brilhante, apresenta elegantes aromas de fruta silvestre como framboesas. No palato tem algum volume, evidenciando especiarias e taninos bem presentes, terminando com boa persistência. (Preço recomendado: 19,90 € no El Corte Inglês).
 
Azamor Petit Verdot 2008
O Petit Verdot compõe 85% do lote, sendo os restantes 15% obtidos a partir de Syrah. Apresenta uma profundidade de cor marcante, granada-escuro e opaco. No aroma fresco dominam as notas de arbustos, mato seco, ervas, folhas, bosque. No palato revela-se extremamente gastronómico, encorpado, a acidez é vibrante, termina longo e envolto em secura. Será perfeito para os pratos alentejanos baseados nas carnes de lenta evolução num forno a lenha, ou então com peças caça de sabores intensos como javali... (Preço recomendado: 21,50 € no El Corte Inglês).


Icon d'Azamor 2004
O topo de gama é um lote muito prometedor composto por Syrah (55%), Alicante Bouschet (35%) e Touriga Franca (10%). Está num momento de consumo fabuloso... Cor rubi com reflexos acastanhados. Aroma muito elegante nas notas de fruta vermelha fresca, vagem de baunilha e flores. A prova de boca é intensa, especiarias como canela, a elegância sempre presente, corpo contido e final longuíssimo... Uma fantástica expressão da qualidade a que podem ascender os vinhos da região alentejana, no entanto é um facto que os são pouco menos que proibitivos (Preço recomendado: 42,60 € em http://www.coisasdoarcodovinho.pt/).

O enfoque na qualidade dos vinhos produzidos é a principal característica a apontar desta prova. Nota-se também uma preocupação em apresentar vinhos gastronómicos, com alguma frescura, e sabemos que não é fácil obter este perfil no Alentejo, exigindo dedicação, rigor, disponibilidade e conhecimento. Um produtor que confirmou os predicados de que apenas suspeitava, e que como acontece com a Quinta do Filoco, em Lisboa praticamente só se encontra no El Corte Inglês... Esta é uma prova que perdurará na memória, e que confirma o Alentejo como uma das grandes regiões de Portugal para a produção de vinhos tranquilos.
 
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