Casa Santos Lima Sauvignon Blanc

Nem só de reservas e Garrafeiras vive um homem.
 
Como quase todos os têm no vinho uma paixão arrebatadora, quase sempre temos na micro garrafeira lá de casa, meia-dúzia de coisas que convêm não tocar.

Ou porque estão prometidos para determinada ocasião ou porque não parece bem juntar um Quinta do Vale Meão com umas omeletes de espargos, sei lá... as razões são muitas e díspares.

Temos de nos valer então dos vinhos de combate.
Aqueles vinhos, que mesmo que não bebamos um copo todos os dias, sabemos que se batem bem com aquela cozinha do dia a dia e não  envergonha ninguém.

Tintos, tenho as minhas preferências nestes valores alvo, aquele mercado dos 2 aos 4 euros.
 
Boas Quintas, Quinta da Ponte Pedrinha, Loios... para mim são valores garantidos.

Mas eis que chega o verão e muda o cardápio.
 
Fora com assados e longos cozinhados de tacho. Viva os grelhados, as saladas e coisas frescas.

Aqui, como costuma dizer o povo, muito inteligentemente, é que a porca torce o rabo.

Como eu não gosto muito de rosés e aprecio cada vez mais o branco, neste mercado que tem de agradar a palatos mais ... irritantes como o meu, parece-me certo dizer que neste capítulos dos 2-4 euros, também existem opções. Eu é que sou esquisito.

Testei Boas Quintas e Qt da Ponte Pedrinha e deram bons resultados, mas ainda eram pesadotes.

E muito por influência do Miguel, experimentei uma coisa do Tejo. Um Sauvignon Blanc.

Custou uns 3.25€ e bateu-se que nem um leão com umas postas de peixe espada grelhadas. Mas acho que faria maravilhas com salmão na grelha ou um peixe com mais gordura.

Tem a acidez no ponto certo. Está como peixe na água, com estes pratos. E mais não posso pedir, apenas recomendar.

Metam-no no frappe e deixem-no "gelar" um bocado. Apetece mesmo muito.

Joh. Jos. Prüm Riesling Kabinett 2009

Cor pálida, de reflexos esverdeados visíveis. Apresenta-se com um nariz bastante expressivo, em notas bem definidas de marmelo cozido, pêras e fruta em calda, alguma elegância. Na boca está bastante suave e redondo, o corpo é mediano, predominam as notas de alcaçuz, termina sem grande persistência, com pouca acidez e com o fundo ligeiramente doce em evidência.
 
Conforme poderão consultar no site da Niepoort Projectos, Joh. Jos. Prüm é um produtor líder na região do Mosel e mesmo em toda a Alemanha, onde os seus Riesling são particularmente considerados. Nesta região alemã que geograficamente se situa mais a ocidente, o encepamento existente é maioritariamente Riesling (54%), embora outras castas estejam presentes como a Müller-Thurgau ou a Elbling.

Dirk Niepoort aconselha a guarda deste vinho por mais de 5 anos, mas confesso que não consegui esperar tanto tempo... Acompanhou um prato de massa fresca com cogumelos salteados e gambas fritas em cerveja. Tenho de ser sincero: não gostei muito deste vinho... Faço desde já o mea culpa por o ter bebido tão cedo, certamente dentro de mais uns 3 anos as características de Riesling se pudessem sobrepor ao carácter mais doce e simples que apresenta neste momento, tornando-o mais complexo, mineral e equilibrado, mas neste momento, não aconselharia o seu consumo... Também é verdade que (nós portugueses) estamos pouco habituados a este estilo de vinhos mais doces, a regra de consumo são vinhos secos, que aprendemos a consumir e a harmonizar de um modo geral com pratos de peixe, marisco, carnes brancas, queijos pouco intensos, massas ou saladas. Beber este Joh. Jos. Prüm Riesling Kabinett 2009 foi nesse sentido uma pedrada no charco, um alargar de horizontes para parceber o que culturalmente, se consome noutro país europeu (e não só na Alemanha). Uma aprendizagem interessante, gostava de a repetir.
 
Outras informações importantes para compreender este e outros vinhos alemães é a classificação adoptada naquele país da Europa Central. Temos assim 4 categorias qualitativas: Deutscher Wein (categoria inferior de vinhos, que poderá ser comparada ao nosso Vinho de Mesa, que obedece a poucas restrições), Landwein (trata-se também de Vinho de Mesa, mas com mais algumas restrições que a categoria anterior), Qualitätswein (vinhos de qualidade provenientes de uma região específica e obtidos a partir de castas autorizadas apenas) e Prädikatswein (qualidade superior).

Esta última categoria, a mais importante, divide-se ainda em 7 diferentes níveis, que têm em conta a concentração e o estado de amadurecimento das uvas a partir das quais o vinho em questão é obtido, e que no fundo se traduz numa concentração maior ou menor de açucar no produto final. Por ordem ascendente: Kabinett (vinhos leves), Spätlese (Late Harvest), Auslese (vinhos nobres obtidos a partir de uvas muito maduras e seleccionadas), Beerenauselese (vinhos de sobremesa, obtidos a partir de uvas sobremaduras e seleccionadas individualmente), Eiswein (conhecido também como Ice Wine, vinhos pelo menos tão intensos quanto os anteriores e obtidos a partir de uvas colhidas e processadas enquanto congeladas) e Trockenbeerenauslese (colheita de cachos sobremaduros individualmente seleccionados, cujas uvas secam na vinha até ao estado de passas).


 
Região: Mosel
País: Alemanha
Castas: Riesling (100%)
Preço Recomendado: 18,74 € (http://www.niepoort-projectos.com/)
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