Erva Pata 2007

A edição do mês de Outubro de 2011 da Revista de Vinhos tinha como artigo principal uma prova de vinhos tintos de Lisboa. Quando li o artigo, no qual fizeram uma prova comparativa de cerca de 26 vinhos, fiquei surpreendido pois o primeiro lugar tinha sido atribuído a este Erva Pata 2007 com 17 pontos, seguido do Quinta de Pancas Grande Escolha e do Reserva do José Bento dos Santos, ambos de excelente qualidade pelo que já pude comprovar em provas anteriores. A reacção foi imediata, tenho de o provar! O que terá a mais para ficar no topo desta prova, à frente de um Reserva do José Bento dos Santos?

Este Doc Arruda é produzido pela Casa Agrícola Ribeiro Corrêa, situada no concelho de Arruda dos Vinhos na Região da Estremadura. Composto pelas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Miúda e Cabernet Sauvignon, mostra-se fresco, equilibrado e sem excessos de fruta madura. Agora percebi o primeiro lugar atribuído nesta prova comparativa, porque é realmente diferente dos restantes vinhos e destaca-se pela simplicidade aliada a um equilíbrio óptimo e com a persistencia certa. Aconselho-vos a provar. É um vinho muito versátil que se adapta bem a uma vasta gama de pratos, e pode ser muito bem bebido a solo

Pode ser encontrado na Garrafeira Nacional e El Corte Inglês por um preço que ronda os 10€, o que na minha opinião se enquadra bem com a qualidade do vinho.

Já repousa na garrafeira o Chardonnay feito pelo mesmo produtor. Para breve planeio por à prova este vinho, e desde já as expectativas são altas, dada a minha predileção por vinhos 100% Chardonnay.
 


Companhia de Vinhos do Alandroal (Provas de Vinhos)

Este é o meu primeiro artigo na secção das Provas de Vinhos, e é inevitável abrir com uma prova que decorreu no dia 1 de Março no mais emblemático local para o nosso grupo de enófilos/bloggers, a "nossa" Garrafeira Nacional". Este é um espaço de matriz tradicional na baixa lisboeta, onde passámos já muitas tardes verdadeiramente memoráveis, sempre em inestimável companhia e na presença de grandes vinhos e produtores. Aproveito para agradecer ao nosso habitual anfitrião, Jorge Morais, que a todos conquistou com a sua personalidade cheia de boa disposição e grande gosto pela actividade que desenvolve. Obrigado.

Tratou-se do regresso às provas de quinta-feira à tarde na Garrafeira Nacional após um período de interregno, já esperado há algum tempo. Foi por isso com grande satisfação que muitos enófilos participaram neste evento. A condução da prova dos 6 vinhos ficou a cargo do enólogo Paolo Nigra da Companhia de Vinhos do Alandroal (vulgarmente conhecidos como vinhos Pontual), que se mostrou sempre muito disponível para todas as questões colocadas.

Nos brancos, o Desigval 2011 (Antão Vaz predominante, Arinto e Verdelho) mostrou-se directo, simples, algo discreto no final mas bastante aromático como é muitas vezes característica dos brancos jovens. Nascido das cubas de inox, pode ser adequado a mariscos ou então a solo como aperitivo, penso que não preenche um aperciador um pouco mais exigente... O Pontval 2009, onde se repete o lote anterior mas desta vez com predominância do Arinto, é obtido após curto estágio de cerca de 1 mês em barricas novas. Mostrou-se melhor conseguido, mais encorpado, com densidade apreciável e de final algo persistente, mas talvez beneficiasse da predominância do Antão Vaz para o tornar mais atractivo.

Nos tintos, a prova abriu com o Desigval 2010, desenhado com objectivos semelhantes ao similar branco. Aroma intensamente frutado e corpo simples, tudo conseguido com um lote relativamente comum de Cabernet Sauvignon, Aragonês, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Seguiu-se o Pontval Touriga Nacional / Trincadeira 2010 (engarrafado cerca de 15 dias antes), muito fechado ainda de aromas, embora com corpo presente e taninos vivos, como que a pedir para acompanharmos a sua evolução mais algum tempo... O Pontval Syrah 2008 apareceu como o vinho mais personalizado de toda a prova: aromas a frutos vermelhos, alguma especiaria, traço compotado, ataque de boca com fibra, volumoso no palato, termina num final longo, com a acidez presente e equilibrada, que lhe dará mais tempo ainda em cave. Um bom exemplo do que de melhor a casta pode expressar no Alentejo, convenceu! Finalmente, o Pontval Reserva 2005, servido após decantação, deixou boas indicações também, nomeadamente ao nível da elegância com que se apresenta na boca, sedoso, redondo, um vinho que estará agora a viver o seu ponto alto de consumo e poderá harmonizar com pratos delicados de caça por exemplo.

Esta foi uma prova que mostrou toda a gama da Companhia de Vinhos do Alandroal, produtor com cerca de 10 anos de actividade na região do Alentejo e que apresenta algumas referências interessantes que poderão ter lugar à mesa do enófilo exigente, com destaque para o Pontual Syrah 2008 e o Pontual 2009 Branco.
 
 
 
 
 
 
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