Sabores do Norte

Há uns dias fui "convidado" para comer um Arroz de Lampreia, um prato tipico do Norte, algo desconhecido e raro por estas bandas. Sendo uma refeição de sabor intenso limitei a escolha do vinho a tinto do Dão, Douro ou Trás-dos-Montes. Numa vista de olhos pela garrafeira acabei por escolher dois tintos do Dão, e ambos foram do agrado dos presentes.... um alivio...
 
A primeira escolha recaiu sobre um Quinta da Giesta Tinto 2009 produzido pela Sociedade Agrícola Boas Quintas, Dão, do enólogo Nuno Cancela de Abreu. Com um preço de referência abaixo dos 5 euros é sem dúvida uma óptima opção, com uma boa relação preço/qualidade. Produzido a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, mostra um bom equilibrio com alguma frescura a fazer lembrar futos vermelhos, o que o torna um bom companheiro para a mesa. Encontra-se com alguma facilidade em grandes superfícies ou garrafeiras.
 
A segunda escolha foi um Quinta dos Carvalhais Colheita Tinto 2008, um Dão produzido na quinta que dá nome ao vinho, propriedade da Sogrape. Produzido a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro, mostrou-se mais encorpado e denso que o anterior, com alguma acidez, algumas especiarias, resultando num conjunto bem equilibrado. Também ele um bom companheiro para a mesa, facilmente acompanha uma boa gama de pratos. O preço de referência ronda os 9 euros, e encontra-se com alguma facilidade em grandes superfícies ou garrafeiras.

Morgado do Reguengo 1987

Num dos últimos jantar lá em casa o meu amigo Luis Coelho brindou-me com esta garrafa. A principio fiquei um pouco céptico por não conhecer o vinho e por ser de 1987, o que podia significar que não estaria em condições visto que não sabia em que estado tinha sido guardado.

O primeiro desafio foi abrir a garrafa, pois o peso da idade tinha tido efeito na rolha e deu algum trabalho a tirar. Depois de decantado foram só surpresas agradáveis. A primeira é que o vinho não apresentava praticamente sedimento nenhum, o que indiciava que estamos perante um vinho em boas condições de consumo. Em segundo lugar os aromas eram fantásticos, e em terceiro apresentava uma frescura que fazia inveja a muitos tintos jovens. No geral foi uma óptima experiência, sem duvida um grande tinto do Alentejo (Portalegre).

Só uns dias depois, e ao falar desta experiência ao amigo Miguel, é que ele me chamou a atenção para uma pequena inscrição na garrafa "Engarrafado por José Maria da Fonseca", o que de certa forma atesta a qualidade do vinho, e pela forma como se manteve em forma todo este tempo. Experiências destas com vinhos mais velhos são para repetir...
 
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