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Quinta de Arcossó Reserva Branco 2014 - Trás-os-Montes em Grande Plano

Um excelente exemplo do que a região de Trás-os-Montes pode oferecer ao consumidor
A Quinta de Arcossó é uma propriedade de 12 hectares que se situa na região de Trás-os-Montes, mais precisamente em Ribeira de Oura (entre Chaves e Vidago). Os solos são marcadamente graníticos, e para a elaboração dos vinhos brancos a vindima é feita antes do nascer do sol e utilizam-se leveduras indígenas. Para este Reserva que contou com a enologia de Francisco Montenegro e Amílcar Salgado, a fermentação alcoólica foi parcialmente realizada em barricas de carvalho francês (70%) com bâtonnage durante 10 meses, estagiando o vinho ainda em garrafa durante mais 4 meses. O lote é composto por Arinto (40%), Alvarinho (20%), Cercial (18%), Moscatel Galego (10%) e ainda Vinha Velha (12%), o que lhe confere grande complexidade.

Nota de Prova: Cor palha aberta com reflexos esverdeados. Nariz fino, elegante e complexo, fruto branco e amarelo, abacaxi e limão, tudo expressivo. Ataque com acidez presente mas controlada, um branco vivo e cremoso, com corpo suave, tom mineral, cítrico e final intenso envolvido em especiarias como pimenta branca.

Classificação Copo Meio Cheio: 16,5 valores
Preço Recomendado: 10,50 € (Garrafeira de Celas - Coimbra)

Um branco de qualidade, marcadamente cítrico, gastronómico, estruturado mas também cremoso. O potencial de envelhecimento e sobretudo de evolução parece-me elevado.

Harmonização seleccionada: Risotto de Polvo

Um produtor para conhecer, um vinho para recordar
Publicado em 11 de Agosto de 2016

Valle Pradinhos Reserva 2006 Tinto: ainda o duelo Ibérico!

Cor granada-escuro. Aroma forte e sedutor com as notas de cacau e chocolate negro em evidência, folha de menta, bagas silvestres bem maduras e ligeiro traço balsâmico. Na língua o ataque é algo especiado, mostra um lado vegetal, é vibrante, cheio, textura densa, corpo altivo, taninos vivos bem presentes, tudo apontando para um longo e saboroso final, sempre num perfil impositivo e autoritário.
 
Às vezes vivemos histórias peculiares, engraçadas, que apetece partilhar, esta é uma dessas narrativas. Tudo começa com uma encomenda de algumas garrafas, feita entre amigos no final da noite do dia 6 de Julho de 2012, o primeiro dos dois dias do "Vinho ao Vivo - Festival Europeu do Terroir", fantástico evento organizado pel' Os Goliardos. Desta encomenda constava entre outras, uma garrafa daquele que foi para mim o melhor vinho dessa primeira noite de provas: o Coma Vella 2007, um tinto espanhol extraordinário da região do Priorato, elaborado pelo produtor Mas d'en Gil. Algumas semanas mais tarde, o pedido chegou finalmente, e haviam sido entregues não uma mas duas garrafas de Coma Vella 2007...

Por sugestão do nosso amigo Jerónimo, decidimos ficar com mais essa garrafa e dividir os custos da compra entre todos; acordámos também em abri-la apenas num jantar onde todos estivéssemos presentes, oportunidade que surgiu há cerca de três semanas, quando combinámos um jantar em minha casa. Para além desta garrafa, o Jerónimo trouxe um outro vinho que de imediato chamou a atenção dos convivas: um Vale Pradinhos Reserva 2006 Tinto...

Estava dado o mote para um inesperado duelo ibérico, com os argumentos de parte a parte a esgrimirem-se sobre uma terrina de polvo à lagareiro com batatinhas a murro, modéstia à parte, estava mesmo muito bom!

Antes de se iniciar o jantar, se eu tivesse de apostar num vinho para vencer, não teria dúvidas em depositar todo o dinheiro no Coma Vella 2007. Ainda bem que não havia apostas nesse dia: perderia cada cêntimo! Não que este não estivesse à altura, pois todos os pergaminhos que lhe reconheci no Vinho ao Vivo se mantinham neste que é também um excelente vinho em qualquer lado, potência focada, elegância, belo nariz e melhor final, num estilo diferenciador. No entanto, o Vale Pradinhos Reserva 2006 apresentou-se na mesa com uma personalidade autoritária, austero, firme e texturado, que presença... Da primeira à última gota, marcou todos os presentes e conseguiu aquilo que julgava não ser possível, ofuscou o brilho imenso do primeiro vinho, com o seu estilo altamente personalizado.

As características apresentadas pelo Valle Pradinhos Reserva 2006 fizeram-me recordar uma outra referência da produção nacional, que bebi recentemente no almoço de aniversário do nosso amigo Pedro, que teve a amabilidade de partilhar com os presentes uma garrafa de Quinta das Bágeiras Garrafeira 2005 Tinto. Também este um vinho fantástico, que ainda agora dá os seus primeiros passos, e ao qual vaticinámos uma longevidade a perder de vista!

Conforme poderão ver, a ficha técnica do Valle Pradinhos Reserva 2006 indica um potencial de envelhecimento até 2034!! Bem, não sei se a outra garrafa que ainda tenho vai esperar tanto tempo, e não sei se este intervalo de tempo se irá confirmar, mas que é um vinho impressionante, e que muitos mais anos de vida terá pela frente, disso não tenho qualquer dúvida. Uma referência obrigatória em matéri de tintos portugueses.

 
 


Produtor: Maria Antónia Pinto de Azevedo Mascarenhas
Região: Trás-os-Montes
Castas: Cabernet Sauvignon (predominante) e Tinta Amarela
Produção: 3.991 garrafas
Enólogo: Rui Cunha
Preço Recomendado: 25,11 € (em www.estadoliquido.pt)
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