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Negreiros glu-glu-glu 2009

Foi a curiosidade que me levou a comprar este vinho, nunca o tinha provado, mas a curiosidade e a oportunidade de o comprar falaram mais alto. Feito a partir das castas tradicionais do Douro (Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca), que boa parte provém de vinhas velhas com cerca de 60 anos, e estágio de 10 meses em barricas. Até aqui nada de novo. A curiosidade está no facto de 1450 garrafas terem estagiado posteriormente no rio Douro logo no dia a seguir ao engarrafamento. Quanto tempo lá ficou não sei, nem comparei com o mesmo vinho que não estagiou no rio. O que sei é que o resultado é bom, muito bom mesmo. Vinho muito elegante e que dá vontade de beber a garrafa até ao fim e repetir.
 
 
Produtor: Negreiros
Região: Douro
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca

D. Graça Viosinho Reserva 2009 - Cinco anos depois...

Amigos leitores, o vinho que aqui vos apresento hoje, tem como todos os que passam pelo Copo Meio Cheio, uma curta e interessante história que merece ser contada.

Há alguns anos (poucos), não sei precisar quantos, decorreu na Garrafeira Nacional uma prova dos vinhos D. Graça (Vinilourenço), com a presença do enólogo responsável, nada mais nada menos que o reputado Prof. Virgílio Loureiro. Como quase todas as provas conduzidas pelo experiente enólogo, tratou-se de uma autêntica aula sobre o mundo dos vinhos, onde muito aprenderam todos os presentes.
 
Imediatamente a seguir à prova deste D. Graça Viosinho 2009, foi sugerido que quem adquirisse o vinho o tentasse estagiar um mínimo de 5 anos (após a colheita), no sentido de "respeitar a qualidade do vinho", e a sua natural e positiva evolução em garrafa. O Prof. Virgílio Loureiro comparava na altura o respeito dos consumidores franceses por brancos de qualidade como os elaborados na região de Chablis, onde não passava pela cabeça de ninguém consumir um vinho antes deste período mínimo de estágio... Com este exemplo desafiou todos os presentes a contrariar a norma de consumir os brancos demasiado novos, não lhes permitindo mostrar todas as qualidades que apenas o tempo se encarrega de trazer à superfície. Assim, em 2015 terminou o período mínimo previsto, e resolvi verificar em que patamar se encontra esta referência da empresa Vinilourenço, situada no Poço do Canto (Mêda, em pleno Douro Superior). O Prof. tinha razão, a espera valeu a pena!!

Amarelo dourado na cor, a reflectir ligeira oxidação fruto da idade. Complexo no aroma a fruta de polpa como marmelo, nota de alperce, laranja e flores secas. Mostra-se especiado no ataque, vivo, algo gordo e bem envolvido nas notas frutadas. O final é longo, bem apoiado nas especiarias (pimenta) e nos citrinos, com o limão em primeiro plano.

Um branco que se apresenta com uma evolução muito interessante e em grande forma. Belo vinho (mais um)!


Filoco Reserva Branco 2009

Por ocasião do Adegga Summer Wine Market 2012, devidamente relatado pelo Miguel em posts anteriores, também tive a oportunidade de conhecer este produtor e provar os seus vinhos, e de facto fiquei muito agradado pela qualidade dos vinhos que produz em toda a sua gama. No final do evento trouxe para casa uma garrafa do reserva branco 2009, visto que sou adepto confesso de vinhos brancos e este em especial tinha despertado grande curiosidade. De facto, as espectativas criadas na altura em torno deste vinho não foram defraudadas, pelo contrário, foram superadas. Produzido a partir de Rabigato, Viosinho e Malvasia Fina, é bastante aromático, bem estruturado e equilibrado com a acidez no ponto que eu aprecio. Deixar repousar algum tempo na garrafeira poderá ser benéfico e o vinho poderá ganhar um pouco mais de complexidade, como foi o caso deste. Aconselho vivamente a experimentar este vinho, e pelo preço que apresenta, gama que pode ir dos 7 aos 9€, cumpre plenamente.
 

Quinta dos Poços Colheita 2009

Tive contacto directo com este produtor pela primeira vez na feira de vinhos do Douro em Lisboa de 2012 e pela prova que tive o prazer de realizar fiquei imediatamente convencido da qualidade dos seus vinhos, para além de testemunhar a simpatia dos seus proprietários, um autêntico prazer.

Situada na zona do Baixo Corgo, na Vila do Valdigem em Lamego, produz uma gama de vinhos que, a meu ver, é bastante completa e de óptima qualidade. Uma forma de avaliar a qualidade de um produtor, é pelo vinho de entrada de gama, que é o caso deste Colheita 2009. Produzido a partir de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, foi engarrafado apenas em 2011. Apresenta-se fresco, com alguma complexidade nos aromas e muito muito agradável de se beber, tanto à mesa como a solo, é um vinho muito versátil. Para encontrar esta referencia terá de procurar em garrafeiras ou grandes ou Corte Inglês, por um preço a rondar os 6-7 euros, que se adequada bastante à qualidade do vinho. Estou convencido da qualidade deste produtor, e aconselho-vos a conhecer mais uma óptima referência do Douro.
 

Dirk Niepoort e um vinho do caraças...


Conheci o Dirk Niepoort pessoalmente, em Setembro de 2010. Do que já tinha falado com amigos e conhecedores da realidade vínica deste jardim á beira mar plantado, e do que intensivamente li, todos se referiam a ele como um ícone, um exemplo e um gajo porreiro.

Que ele sabia fazer vinhos, não me surpreendeu. Quem teve por “alunos”, malta como a Sandra Tavares da Silva, Jorge Moreira e o Francisco Olazabal entre outros, não pode ser mau criador de vinhos. Algo ele saberá, de certeza. Quem influenciou tanta gente e tão bem, não pode fazer maus vinhos.
Por isso, foi com alguma “contida” excitação que fui até á Quinta de Nápoles, em Armamar, centro nevrálgico do império Niepoort, passavam meia dúzia de dias do inicio de Setembro. Ok, império é uma palavra muito forte, mas pronto... façam lá o jeito a um gajo...

Já tinha tudo combinado com ele (ele mesmo, respondeu ás minhas mensagens de Facebook e tudo...) e prometi-lhe uma garrafa de Moscatel de Setúbal, para desbloquear uma situação que se tinha criado. Fraco suborno, é verdade, mas o homem cumpriu a parte dele e lá seguiu, direito ao Douro, uma Alambre 20 anos, da JMF...

A Quinta de Nápoles é muito gira, “encravada” num topo de uma elevação, com uma vista espectacular para uma curva do rio Douro. Escusado será dizer que, em principios de Setembro, aquilo fervia de agitação. Eram dezenas de caixas de uva a chegar, tapetes de escolha carregados de cachos, bem... uma azáfama que até fazia suar, só de olhar.

Assim que parei o carro, dei logo com o homem. Não enganava, era mesmo ele. Alto, de óculos, t-shirt, calções e crocs. Por ele, vim a saber mais tarde, andava assim o ano inteiro e segundo uma simpática colaboradora dele, não se recordava de o ter visto com um fato vestido, á excepção do casamento. Não me surpreendeu por isso, uns dias mais tarde, ter visto na TV, aquando de uma visita do Presidente da Républica á adega, que o recebesse da mesma maneira. Excepto o colete. Afinal, recebia-se o Presidente, não é?

Meia duzia de palavras trocadas, juntamente com alguns cumprimentos e meteu logo as cartas na mesa:
- Então e o moscatel, trouxe-o?
- Claro, está ali no carro.
- Então, vamos lá a ver isso.

Fui buscar e entreguei-lho. Ficou a olhar para o embrulho e perguntou:
- É o quê, já agora?
- Um Alambre 20 anos, da JMF.
- Boa, boa... espere aí um bocadinho...

Nisto, pirou-se. Voltou passado uns minutos com uma garrafa na mão. Entregou-a com um sorriso matreiro.
- Era para ser um moscatel cá dos nossos, mas estes gajos beberam tudo ontem á noite, portanto olhe, vai um porto...

Fiquei meio parvo a olhar para o homem. Caraças, mas eu não pedi nada! Dei a garrafa porque quis! E ele vai e mete-me um Tawny 20 anos, nas mãos?!

Claro que aceitei, não sou maluco. Mas reconheço que fiquei um pouco embasbacado.

Depois, seguiu-se a visita ás brutais instalações, primeiro com um estagiário, que ainda não
estava completamente refeito da noite anterior (apresentação da nova colheita dos Douro Boys!) e depois, mais aprofundadamente, com a Gabriela, a chefe do “enoturismo” da Niepoort.

Pediu-nos desculpa pela demora, mas tinha ido ao hospital da Régua com o filho mais novo do proprietário da Quinta do Mouro, que tinha aberto a cabeça num desengaçador, por distracção.

Confessou-nos, muito simpaticamente, que esteve quase para nos pedir para não virmos naquele dia, porque ela estava a adivinhar que aquela rapaziada, Dirk incluído, não estariam a 100%. Volto a frisar o que o Dirk disse, aquela malta tinha bebido o stock inteiro de Moscatel. Só naquela...

Grandes instalações, espectaculares mesmo, controle de frio e tudo mais. E o salão de provas é assim uma coisa, soberba...

Passamos ao almoço e aí sim, reconheço o génio do homem.

Não, não foi ele que fez o almoço, essa parte estava muito bem entregue a uma simpática cozinheira de muitos anos na casa, que nos deleitou com uma sopa espessa e muito saborosa e depois com uma variação de tripas á moda do Porto, que estava divinal!

Todos os vinhos dele e mesmo aqueles em que é “apenas” representante, são pensados com algum tipo de comida em vista. Não digo que seja, “vou fazer um Riesling, porque gosto á brava de marisco e assim já posso dizer que fiz”! Não tem essa especificidade, mas á claramente algo ali. E a escolha não podia ter sido mais acertada.

Já não me lembro bem da ordem, mas depois das novas colheitas dos Lavradores da Feit oria (estava lá o enólogo da casa, Paulo Ruão, a almoçar...), veio mais ou menos por esta ordem:


Morgadio da Calçada 2008 branco, que embora já não tenha grandes memórias dele, tenho a leve lembrança que era correcto. E que estava bem feito. E mais não digo, porque sinceramente não me recordo



Morgadio da Calçada 2007 tinto
. Este lem bro-me bem. Boa cor, um vermelho vivo mas escuro. Bem estruturado, mas notava-se que a elegância das vinhas mais velhas, elevava este tinto a outros voos, talvez uma guarda prolongada, far-lhe-ia bem. Foi um dos que fiquei na memória.

Redoma tinto, amostra de casco da colheita 2008. Achei bom. Muito bom. Mas também, nunca bebi um mau Redoma. E era uma amostra de casco. Nem tinha sido ainda engarrafado.

A estrela do dia. Carnuntum 2007. Nunca tinha provado algo assim. Fiquei com ele bem presente, taninos fortes mas elegantes e possuía um final de boca descomunal!


Depois, foi um desfilar de Portos e o Moscatel. O tal Moscatel. Afinal aquela malta não tinha bebido tudo. Fiquei com a ideia que era mais doce que o nosso Moscatel, o de Setúbal, e menos estruturado.

O Dirk perguntou-me o que achava. Disse-lho taxativamente, “ é mais doce que o Moscatel de Setúbal. Mas não é tanto como o Favaios, é bastante interessante.”

- A sério? Mais doce? Bem, nós por aqui temos a pancada com a acidez, portanto…

Este foi o mote, para uns bons dez minutos de conversa com o Luis Seabra, acerca de Moscatéis velhos e novos e uma descoberta: Luis Seabra é um perdido pelos moscatéis da JMF, principalmente pelo Bastardinho de Azeitão 30 anos. Que adquiriu uma caixa.

Tudo dito, foi um dia soberbo. Espero lá voltar um dia destes.

Ps – o Tawny 20 anos abriu-se na sexta-feira, dia 2 de Março. É um Porto diferente, sem dúvida. Muitíssimo saboroso e muito estruturado, mas o maior elogio que lhe posso fazer é utilizar as palavras da Inês, “nem parece um Porto.” E isso diz quase tudo…

Prova de Vinhos Aneto, Wine o'Clock Lisboa, 08 Agosto 2012

A empresa familiar Sobredos foi criada no ano de 2001, com o objectivo primordial de obter pequenas produções com grande potencial qualitativo: os vinhos de marca Aneto.
 
São 7 há de vinha adulta plantada entre os 50 e os 250 metros de altura (com parcelas distintas e separadas por casta), situada bem no coração da região demarcada do Douro, em Sobradais e Malvêdos (freguesia de Castedo do Douro, concelho de Alijó), onde solos xistosos com ligeiros afloramentos de argila servem de base a castas tintas (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinto Cão e Souzão), e solos graníticos servem da base a castas brancas (Semillon, Gouveio, Viosinho, Arinto, Rabigato, Malvasia Fina e Cerceal). O enólogo Francisco Montenegro (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo) apoia a produção, desenvolvida na adega da empresa situada em Barrô na Quinta de Fundo de Vila, que recebe visitantes mediante marcação prévia.

O Aneto 2002 Tinto representou a primeira colheita a ser engarrafada, existindo ainda no portefólio da empresa os Anetos Branco (introduzido na colheita de 2007), Reserva Tinto, Reserva Branco (introduzido na colheita de 2008), Grande Reserva Tinto (introduzido na colheita de 2006) e Late Harvest (introduzido na colheita de 2005). Da colheita de 2010 saiu um primeiro ensaio produzido em quantidades apenas residuais, o Aneto Pinot Noir.

No dia 08 de Agosto de 2012, a garrafeira Wine o’Clock de Lisboa uma prova dos vinhos Aneto, onde recolhemos as seguintes notas:

Aneto 2011 Branco (nova colheita)
Obtido a partir de Gouveio (25%), Malvasia Fina (25%), Rabigato (25%) e Viosinho (25%). De cor citrina, mostra flores secas no nariz expressivo, delicado, algo amanteigado e envolvido ainda em sugetões de limão. O ataque na boca é mineral e evidencia bom volume e elegância. A acidez está presente neste conjunto que termina com bom comprimento, focado no pimento verde e leve amargo vegetal.


Aneto Pinot Noir 2010
Obtido a partir de Pinot Noir (100%) vindimado na primeira semana de Outubro, plantado a alta altitude e com as vinhas viradas a norte. Estagiou 12 meses em barricas usadas, tendo sido engarrafado em Fevereiro de 2012. De cor rubi-violácea, apresenta aromas elegantes,  florais e com nuances de frutos vermelhos. No palato mostra boa frescura, corpo médio e taninos presentes mas discretos. Termina persistente e com suave amargo. Muito versátil, evidencia características para o consumo a solo ou à mesa, em hatmonização cuidada.

Aneto Late Harvest 2010
Obtido a partir de cachos botrytizados de Semillon (100%) vindimados em Dezembro. Estagiou 18 meses em barrica de carvalho francês, tendo sido engarrafado em Fevereiro de 2012. Não foi possível desgustar este Late Harvest que se encontrava já esgotado para prova.
 


Como apreciação final, não posso deixar de classificar esta prova como pouco enriquecedora. Para uma melhor apreciação do portefólio dos vinhos Aneto, era imperativo pelo menos a prova do seu Reserva Branco, para que os (poucos) presentes pudessem atestar o nível que algumas referências poderão (eventualmente) atingir... Foi um esforço da Wine o'Clock que tentou dinamizar o espaço durante uma época do ano algo difícil no que toca à presença de público devoto (Agosto), por isso fica aqui o meu agradecimento à equipa presente. No entanto, a impossibilidade da prova do Late Harvest aliada à selecção definida não permitiram que esta fosse um prova marcante, pelo contrário. Aguardemos pois a possibilidade de atestar melhor as reais qualidades dos vinhos Aneto, quiça numa prova organizada em conjunto com os responsáveis pela produção, onde normalmente o portefólio disponível atinje outros níveis...

Complexus Reserva 2010 Tinto

Pedro Alves é o rosto por trás da marca Complexus, que recentemente surgiu no mercado dos vinhos portugueses. A aquisição destes vinhos é possível através da Sabores Gourmet, empresa distribuidora exclusiva, e a enologia está a cargo de Francisco Montenegro, nome que alguns reconhecerão de outros projectos durienses como a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, por exemplo. O vinho aqui apresentado, é não apenas a maior aposta da casa até ao momento, mas em particular uma aposta pessoal de Pedro Alves, acérrimo defensor das suas qualidades e capacidade para vingar no competitivo mercado dos vinhos da região do Douro. A produção reduzida (3.066 garrafas numeradas), aconselha desde já a celeridade na aquisição de um ou mais exemplares para poderem aferir das suas características. Por outro lado, esta é uma forma de entrar no mercado de forma segura, embora escutando em simultâneo a receptividade do mesmo, algo que entendo também como a melhor opção.

A formação específica em Marketing permite a Pedro uma postura "agressiva" (no bom sentido) junto do consumidor: aquele é o produto que tem, em que acredita, e depois de provar, gosta quem assim o entender. Realce ainda para uma saudável intransigência em servir apenas em copos de boa qualidade, bem como uma atenção (sempre fundamental) às temperaturas de serviço. Os enófilos agradecem e os consumidores ocasionais também (mesmo que não o saibam!). Esta é sem dúvida a atitude certa, uma vez que cabe (essencialmente) aos profissionais do sector como sommeliers, produtores ou agentes comerciais, educar correctamente todos os consumidores sobre as melhores formas de consumir diferentes tipos de vinhos.
 
Bonita cor granada, com a auréola violeta a denunciar o bom envolvimento da Touriga Nacional. No nariz é complexo, destacam-se as notas suaves de fruta vermelha como ginjas, bagas silvestres em compota, sugestão floral, elegante, toque abaunilhado dado pela madeira nova. Na boca é sério, redondo e saboroso, apresenta-se com alguma acidez, taninos presentes mas bem integrados, terminando com bom comprimento. Um vinho consensual, saboroso, sofisticado e actual que pode ligar bem com pratos de caça no forno.

O Complexus Reserva 2010 Tinto, apresenta-se no mercado com boas armas para competir nesta gama de preço. Pessoalmente, penso que poderia beneficiar de uma menor intervenção da barrica nova, passando a exibir maior austeridade e profundidade, num perfil mais facilmente associado à região. No entanto, o perfil que exibe permite-lhe ser companheiro à mesa ou fora dela desde já, sem prejuízo de alguma evolução que possa revelar em cave. Uma marca a conhecer e a seguir no próximos tempos. Fiquem atentos!

Uma última palavra de agradecimento ao Pedro Alves por nos ter gentilmente facultado fichas técnicas e imagens diversas, que contribuíram decisivamente para a elaboração deste artigo.
 
   

Produtor: Natalia Neusa Correia Cigarro Miranda Brás
Castas: Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz (30%) e Touriga Franca (30%)
Região: Douro
Enólogo: Francisco Montenegro
Produção: 3.066 garrafas (numeradas)
Cave: 6 anos (após o engarrafamento em Abril de 2012)
Outras Informações: Estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês novas com tosta média

Casa da Palmeira 2010 Branco

Cor palha aberta com reflexos esverdeados. Apresenta-se pouco comunicativo no nariz, fundo mineral a envolver todo o bouquet onde suaves notas cítricas (lima) se cruzam com outras tropicais (ananás). Na boca confirma a simplicidade de conjunto, corpo magro, muito suave, final curto sempre em nota mineral e sugestão discreta de especiaria branca. Um branco duriense que dificilmente marca a memória, embora se possa adequar a determinados momentos de consumo: bebido a solo ao final da tarde, ou como acompanhamento de saladas, carnes brancas ou eventualmente peixes magros na grelha.
 
A Quinta de Vila Maior tem 75 hectares e situa-se no distrito de Bragança em pleno Douro Superior, a cerca de 7 km de Torre de Moncorvo. Este produtor comercializa também outras três referências, os tintos DOC Douro Casa da Palmeira, Casa da Palmeira Reserva e o topo de gama Quinta de Vila Maior.
 
 
Produtor: Manuel Joaquim Pinto
Região: Douro
Castas: Tradicionais durienses
Enólogo: Álvaro Van Zeller

Preço Recomendado: 6,00 € (no produtor)

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Colheita 2010 Tinto

Cor granada envolvida por auréola rubi. No nariz destacam-se as notas suaves de ameixa em compota e menta, simples mas atractivo. Na boca é redondo, taninos discretos mas presentes, corpo médio, termina com bom comprimento e alguma elegância. Um vinho bastante saboroso, uma boa opção a solo ou na mesa, que pode ligar bem com caça no forno.

A Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo é um dos produtores durienses bem conhecidos dos enófilos. Neste Colheita 2010 Tinto alguns consumidores poderão sentir a falta de mais estrutura, mas os objectivos de um vinho "unoaked" como este são diferentes... Torna-se por isso num recurso muito útil na garrafeira quando se pretende um tinto de qualidade mas menos pesado!
 
Este vinho foi um dos parceiros de um jantar muito agradável com a minha esposa e os meus queridos amigos Jerónimo e Rita, aos quais agradeço o ámável convite para mais uma óptima noite de convívio e amizade. Recentemente ele esteve presente numa prova na Delidelux precisamente deste produtor e a opinião geral foi de algum exagero na relação preço-qualidade, sobretudo nas gamas mais altas. Penso que este Colheita 2010 Tinto pode amenizar um pouco essa opinião!
 
 
Produtor: Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão
Região: Douro
Enólogos: Francisco Montenegro e Pedro Pina Cabral
Preço Recomendado: 13,30 € (http://www.coisasdoarcodovinho.pt/)

Uma espera compensatória...

Quando as vi, disse para comigo "foge! paga e põe-te a andar!"...

Estranho?

Passo a explicar. Uma garrafeira nova tinha aberto em Setúbal. Espumante Murganheira á descrição e alguns acepipes pelo meio. Acho que a dada altura, até uma magnum de G.H. Mumm abriu-se.

Nada que eu estivesse muito interessado Descobri ás minhas custas, que quando há festas, promoções ou ocasiões festivas, é quando as coisas correm mal. Para quem vende, claro. Mais uma vez, a minha teoria resultou.

Depois do derrame cerebral que tinha dado aquela rapaziada do Jumbo, em que adquiri 6 garrafas de champanhe Pommery, pelo preço de 1 ou pouco mais, pensava que já não conseguia bater o meu próprio recorde.

Não bati, mas foi quase. 2 garrafas de Redoma Reserva Branco, pelo preço de 1. Assim, sem mais nem menos. 24.90€ pelas duas...

Hoje decidi, em homenagem ao Dirk(que faz anos...) que ia abrir uma para acompanhar uns magníficos robalos no forno. Só queria ter ideias destas todos os dias, a sério...

Decantei-o, mas o mais certo era nem precisar, mas pronto o efeito no decanter é excelente para a foto e lá foi. Um tom palha, dourado quiça... muito apelativo. Depois, no nariz faz lembrar tangerinas ou pêssegos, mas estão tão escondidos e tão sublimados, que cheguei a temer que se tivesse ido desta para melhor...
Na boca e conjugado com os sabores típicos de um assado no forno( azeite, cebolas, pimentos e tomates...) e a gordura soberba do peixe, mostrou-se. Imaginem a Guerra das Estrelas

Yah, a Guerra das Estrelas, façam-me a vontade. De um momento para o outro, apagam-se as luzes, lês as frases icónicas (A long time ago, in a galaxy far, far away...) e POW!!

LETRAS A SUBIR, JOHN WILLIAMS E SINFÓNICA DE LONDRES A MALHAR FORTE E FEIO NA SECÇÃO DE METAIS, TROMPETES, VIOLINOS A RASGAR...

Calma. Respira.

Não é melhor que o Quetzal Reserva de 2006. Desse tenho memórias soberbas. No entanto, o potencial é infinitamente superior. Só posso imaginar onde estará daqui por uns 4 ou 5 anos... vamos esperar...
UA-64594990-1