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Marquês de Marialva Baga Reserva 2012

Confesso adepto da casta Baga, este Marquês de Marialva apresenta um registo mais ligeiro, macio e frutado da casta, que se deixa beber bastante bem para um vinho de 2012. Claramente gastronómico, é um vinho muito versátil. Já é presença assídua na garrafeira e sempre que o preço é bom não resisto a levar umas quantas garrafas para casa. Recomenda-se.


Produtor: Adega de Cantanhede
Região: Bairrada
Castas: Baga
Preço: 6-8€

Kompassus Colheita Branco 2012

A região da Bairrada tem vindo recentemente a afirmar-se cada vez mais junto dos conhecedores e apreciadores como produtora de alguns dos grandes vinhos portugueses da actualidade. Quinta de Baixo, Campolargo, Quinta do Encontro, Quinta dos Abibes, Sidónio de Sousa, Quinta da Vacariça ou Kompassus, são apenas algumas marcas de grande projecção qualitativa junto de todos os que seguem de perto o que de melhor se faz em Portugal.

O produtor João Póvoa é o responsável pelo projecto que se iniciou em 2007, que conta ainda com outra cara conhecida na consultoria enológica: Anselmo Mendes, que dispensa apresentações.

Este vinho que aqui vos trago hoje acompanhou ao almoço uma bela dourada no forno, com batata doce e grelos salteados, e esteve a um nível bem elevado. Tem ainda margem para crescer na garrafa. Para quem não conhece, outro grande branco bairradino.

Cor palha com reflexos esverdeados. Aromas centrados nas notas cítricas, com a lima e o limão em evidência, depois leves sugestões de baunilha e ainda flores brancas, a barrica já bem integrada. Corpo médio, traço gordo e acidez bem presente, boa textura, com densidade, profundidade de sabor e final de médio comprimento. Um belo branco, fresco e sedutor.
 
Adquiri-o em http://www.flashgourmet.pt por 12 €, o que representa o seu preço normal (11,50 € na Garrafeira Nacional ou na Garrafeira 5 Estrelas, por exemplo).





 
PS: Apesar do designativo "Reserva" surgir associado a este vinho em todas as lojas online, a verdade é que o rótulo menciona apenas o designativo "Colheita".


 

Quinta dos Abibes Sublime 2010 Branco

Muitas vezes me perguntam qual será para mim o melhor vinho que já bebi, o vinho de que gosto mais, o melhor vinho até aos 10 €, e assim por diante. Como percebem facilmente, nenhuma destas perguntas tem resposta fácil, nem simples, uma vez que o tema do vinho é extraordinariamente complexo. Tento sempre fazer com que os meus interlocutores limitem a pergunta a uma região do país, a um intervalo de preço, ou qualquer outra característica que me permita situar a resposta de uma forma mais ou menos satisfatória, e mesmo neste caso indico sempre um conjunto de 5 ou 10 referências que reúnem a minha preferência, pois é muito dificil limitar a escolha a um ou outro vinho.

Se me perguntassem qual o estilo de vinho branco que prefiro, se pudesse escolher, a resposta recairia invariavelmente sobre a utilização de Encruzado (na região do Dão), Arinto, Chardonnay e algum Antão Vaz (as minhas castas brancas favoritas), com vinificação em barrica e estágio sobre borras finas (batônnage), para tornar o vinho estruturado, gordo e algo untuoso. São bons exemplos destes estilos algumas dezenas de monovarietais de Encruzados do Dão (Quinta Mendes Pereira, Quinta do Perdigão, Quinta dos Roques, Quinta da Fata...), o Pêra-Manca Branco (Antão Vaz e Arinto - Fundação Eugénio de Almeida), o Morgado de Santa Catherina (Wine Ventures - Quinta da Romeira), o Cova da Ursa (Bacalhôa Vinhos), os Reserva Branco da Herdade dos Grous (Antão Vaz, Verdelho e Viognier), da Herdade do Perdigão (Antão Vaz 100%) e a lista continua...

Para além destes que mencionei, um vinho está sempre no meu imaginário, desde que tive a felicidade de participar numa prova realizada na Garrafeira Nacional, à cerca de 4 anos e dirigida por Osvaldo Amado: trata-se do Sublime Branco da Quinta dos Abibes. A Quinta dos Abibes é uma pequena propriedade (10 hectares) adquirida em 2003 pelo Prof. Francisco Batel, que se situa no concelho de Anadia (freguesia de Aguim - região demarcada da Bairrada) e que conta com o apoio à enologia de Osvaldo Amado, reputado enólogo que dirige com grande mestria operações de grande dimensão como as da Dão Sul - Global Wines, ou de menor dimensão, como a Quinta da Rede (região de marcada do Douro) por exemplo. Todos os vinhos produzidos na Quinta dos Abibes exibem uma qualidade superior, dos espumantes aos tintos, passando pelos magníficos vinhos brancos.

 
Como grande adepto deste Sublime Branco da Quinta dos Abibes, não hesitei em resgatar uma garrafa das prateleiras do supermercado Apolónia na Guia - Albufeira, onde estive recentemente para um pequeno período de férias. Não é um vinho barato (custou-me 19,90 €), e em Lisboa poderão encontrá-lo na Garrafeira Nacional (20,40 €) ou na garrafeira Coisas do Arco do Vinho (19,85 €). Esta garrafa que consumi agora é da colheita de 2010, e o vinho está em excelente forma: o nariz é muito complexo, com as sugestões amanteigadas envolvidas pela fruta tropical madura (manga), notas citrinas (limão suave) e ligeiro floral. Elegante, misterioso e sedutor. A boca gorda revela um vinho encorpado com estrutura densa, mas precisa, envolvente e saborosa. O final é muito longo e levemente especiado.

Há muito tempo que esperava voltar a beber este vinho, e foi com muito prazer que o fiz novamente alguns anos depois da última vez. O Sublime Branco da Quinta dos Abibes mantém-se como umas das minhas referências no que a brancos portugueses diz respeito, e o perfil do Arinto fermentado em barrica é também um dos meus favoritos. Se puderem experimentem, eu vou tentar arranjar mais algumas garrafas em breve porque são estes vinhos que me fazem sorrir em muitos momentos. E há prazeres sem preço...

 
 
 
 
 


Visita ao Sidónio de Sousa - Parte 2

À Região da Bairrada associamos facilmente (pelo menos) duas coisas, leitão e vinho. Foi precisamente desta feliz associação que resultou um grande dia, temperado com o essencial condimento da vida: a amizade.
 
O almoço ficou a cargo da Casa Vidal, localizada em Aguada de Cima, uma das duas "mecas" para os entusiastas conhecedores do Leitão à Bairrada (a outra é o Mugasa, em Fogueira), e mais uma vez os créditos não ficaram em mãos alheias, o leitão tratado com mestria e nota (muito) alta para as magníficas batatas fritas em palitos. A carta tem boas opções no que toca a espumantes bairradinos e ficou dado o mote para uma tarde memorável. O plano estava definido: visita às vinhas, adega e ainda prova de alguns vinhos de um dos clássicos produtores da região: Vinhos Sidónio de Sousa. Esta foi ainda a primeira visita "oficial" em nome do Blog Copo Meio Cheio, o que tornou a ocasião ainda mais especial.

À nossa espera à porta da adega, com a boa disposição de quem gosta do que faz, estava Paulo Sousa, o homem por trás dos vinhos Sidónio de Sousa e alma do projecto. Apresentação e introdução passadas, seguimos de imediato para o local onde nascem estes vinhos bairradinos, são 11 ha de vinhas bem cuidadas onde a Baga centra sem dúvida as maiores atenções, mas onde também o Merlot (dá origem a um monovarietal) e ainda outra parcela de castas brancas (essencialmente as esperadas Maria Gomes e Bical), contribuem para o portefólio disponível. As vinhas situam-se a cerca de 5 minutos da adega (de carro) e encontram-se numa enorme clareira, onde vários proprietários têm as suas parcelas. A visita foi paciente, didáctica, dando a conhecer o muito trabalho envolvido (relacionado com a extensão das terras, tipo de solos, tratamentos) e o conhecimento necessários para fazer nascer grandes vinhos. O tempo ajudou e fez desta parte da tarde o aperitivo perfeito para o que se havia de seguir.
De volta à adega, a visita continuou pela zona onde pontificam os lagares, algumas cubas de inox e os indispensáveis tonéis, todos responsáveis por receber e transformar os diversos néctares que fazem as delícias dos enófilos. No piso inferior, a área de recepção das visitas dá-nos o primeiro o impacto da baixa temperatura, refrescante, abrindo depois todo o cenário de uma grande mesa de madeira onde havia de decorrer a prova de vinhos, e onde habitualmente se desenrolam os almoços em que o leitão do Mugasa reina sem concorrência. Há arcadas com garrafas premiadas um pouco por toda esta zona, com ligação ao corredor de estágio dos espumantes (engarrafados), e ainda à Garrafeira Particular de Paulo Sousa... O portão abre para um pequeno corredor recheado de grandes colheitas, garrafas antigas, magnuns, anos de excepção como 1997 estão representados, mas há mais tesouros em todas as prateleiras conservadas pelo tempo que passa aqui muito devagar, o enófilo entra em êxtase...


Sentados à mesa, a prova inicia-se com os inevitáveis Espumantes. Desfilaram o Rosé 2010, de carácter simples mas afinado, o Branco 2010, versátil, pleno de acidez e bastante gastronómico, e um dos vinhos mais impressionantes de toda a prova: o Baga Super Reserva Bruto 1999. Faltam predicados para esta surpresa, aroma a fruta bem madura, delicado e cremoso na boca, algo encorpado, bolha pouco interventiva mas viva, final longo, um espumante muito elegante, serve pratos mais delicados e exigentes, um achado!
Avançámos em seguida para os Tintos atualmente no mercado, o Merlot 2008 e o Reserva 2008 (100% Baga), que mostraram estilos e perfis muito distintos. O primeiro destina-se a um consumo mais imediato, sem grandes compromissos, frutado, pouco encorpado, tem na simplicidade a sua grande arma... Quanto ao Reserva 2008, é outro filme! Pode ser guardado desde já (opção aconselhável como verão), mas apresenta-se em óptima forma para ser bebido agora, a fruta vermelha ainda não completamente madura nos aromas (framboesas, ameixas), complexo e estruturado, final de boa persistência, muito gastronómico.
A partir deste ponto, a prova levantou voo para os domínios superiores da Baga e da sua excelência trabalhada por quem lhe conhece os segredos... Sem ser necessária a assertividade dos Garrafeiras, que o Copo Meio Cheio havia provado no Vinho ao Vivo 2012 (cortesia d'Os Goliardos), bastou conhecer os Tintos Reserva de 1997, de 1991 e ainda um Bairrada Tinto de 1985 (não, não me enganei na data!!) para perceber o que podem ser verdadeiros vinhos bairradinos, se lhes dermos o tempo devido, tratou-se de um verdadeiro privilégio para todos os presentes. O 1997 é um verdadeiro assombro, fabuloso no equilíbrio de conjunto, impositivo em todos os predicados, num momento de consumo notável e ainda com muito para dar em garrafa. O 1991 mostrou-se também em boa forma, embora menos encorpado e exuberante que o anterior, mas ainda com a acidez a proporcionar boa prova, final elegante. O Bairrada de 1985 é algo verdadeiramente à parte, associado de maneira muito particular à história desta família do vinho, é como um livro, que se desfolha lentamente e onde se saboreiam pedaços de tempo, momentos perdidos e memórias perenes. Mais uma vez, um verdadeiro privilégio.
 
A prova foi deliciosamente acompanhada de uma tábua onde pontificaram uma extraordinária broa e ainda uma chouriça caseira que pouco ficou a dever aos grandes vinhos provados. Uma tarde memorável, proporcionada por um grande homem da Bairrada, que mantém a tradição a um nível qualitativo de excepção. Vinhos sem concessões, a honesta espressão de uma região particular, a diferença que Portugal pode fazer no panorama vínico mundial.
 
Este artigo não poderia terminar sem um agradecimento sentido ao Sr. Paulo Sousa, pela hospitalidade sem par e momentos únicos proporcionados. Um grande bem-haja!!
 
 

 
 
 
 


  
 








Visita ao Sidónio de Sousa - Parte 1

A primeira visita "oficial" como blog foi ao Sidónio de Sousa, um dos grandes produtores da Bairrada. Fomos muito bem recebidos pelo Sr. Paulo Sousa, ao qual agradecemos a simpatia e a amizade demonstrada, o que tornou esta visita ainda melhor.

Deixamos aqui algumas imagens, e para breve mais detalhes sobre os vinhos provados... promete.... muito....












Duelo Bairrada-Alentejo

Estavam em cima da mesa dois belos vinhos e que prometiam dar que falar...

O primeiro a ser servido foi o Quinta do Ribeirinho 1ª Escolha 2003 do Luis Pato, 50% Baga e 50% Touriga Nacional. Esta conjugação entre a Baga e a Touriga torna este vinho bastante gastronómico e muito equilibrado, com um prolongado e persistente. O melhor da Touriga nos aromas, e o melhor da Baga com a longevidade, complexidade e taninos presentes. Sou apreciador confesso dos vinhos da Bairrada, e por isso dá-me sempre enorme prazer estes vinhos.

O segundo foi o Aragonez 2007 da Cortes de Cima feito com 100% Aragonez. Os quase 6 anos não se fizeram sentir, pelo contrario, penso que esta em pleno ponto de consumo. Um vinho muito intenso, fresco, e envolvente, mostrando-se igualmente um opimo companheiro para a mesa. Só vejo um problema com este vinho, e com os restantes que a Cortes de Cima produz e que já tive a oportunidade de provar em várias ocasiões, o preço que ronda os 12-15 euros... tirando isso estamos perante um opimo exemplar desta casta em Portugal.

No final ainda foi um Poças Colheita 1997, mas isso fica para outra altura.... muito para falar...



Quinta das Bágeiras Colheita 2011 Branco

Cor amarela-citrina. No nariz os minerais envolvem-se com os frutos e flores brancas, num diálogo calmo, ponderado, personalizado. A mineralidade é a nota dominante no palato, sente-se calcário e sílex, muita garra, volume, final intenso e longo. A relação qualidade-preço deste vinho é simplesmente inacreditável... Um vinho que dá muito prazer a beber agora e que pode evoluir ainda um pouco mais em cave!

À partida para esta experiência de consumo, alguma curiosidade aguçava o apetite, apesar do investimento pouco avultado nesta garrafa de vinho branco bairradino. Alguns dias antes, outra garrafa do mesmo produtor lhe tinha feito companhia na pequena viagem (cortesia do meu amigo Jerónimo) desde Fogueira até à minha residência: Pai Abel Garrafeira 2010 Branco... Entre ambas, a de Quinta das Bágeiras Colheita 2011 reunia da minha parte menos expectativas, no entanto, o que mostrou nesta prova convenceu-me perfeitamente.

A garra que apresenta, a personalidade, um branco sem concessões, directo mas complexo e envolvente, sente-se o terroir das Bágeiras, e quando a gama de brancos começa assim, percebemos porque o Garrafeira e agora o Pai Abel são alvo de tanta procura no mercado... Lembrem-se deste vinho quando fizerem as vossas compras e não quiserem gastar muito dinheiro, ficarão surpreendidos por tudo o que tem para oferecer, e talvez comece a fazer parte do vosso espólio regularmente!
  
 


 



Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Castas: Maria Gomes, Bical e Cercial
Região: Bairrada
Preço Recomendado: 3,70 € (http://www.garrafeiranacional.com)
 

Harmonizações em Casa

Por vezes em nossa casa, gostamos de preparar um jantar mais especial, com o intuito de partilhar com aqueles que nos são mais próximos um bom momento gastronómico, de descoberta, de novos sabores, texturas e harmonizações. Para estas ocasiões, a escolha dos vinhos para a refeição é sempre crucial e precedida de alguma reflexão, culminando em escolhas que às vezes  correspondem (mais ou menos) aos nossos desejos...
 


 
Este jantar foi uma dessas ocasiões, que serviu de celebração para um noite simplesmente especial, para partilhar com a minha esposa. O menu compôs-se de um carpaccio de maçã e queijo de cabra como entrada, e para o prato principal tagliatelle de peru com molho de cogumelos.
 
Para acompanhar o carpaccio seleccionei um espumante Marquês de Marialva Bical 2007 (produzido pela Adega Cooperativa de Cantanhede na região da Bairrada, PVP 9,99 €),  que se apresentou no flute com bolha viva, numa bela cor amarelo-pálido. Nariz a incidir na fruta amarela, marmelo cozido, panificação e tosta. Na boca a cremosidade domina um conjunto gastronómico, vivo e crocante, acidez bem integrada, terminando redondo sobre sugestões tropicais (ananás). Como sou adepto das harmonizações em contraste, penso que a ligação podia ter sido melhor conseguida, com um branco elaborado a partir de Antão Vaz ou Viosinho por exemplo, uma vez que a acidez bem vincada da maçã e do queijo de cabra limitou a expressão do espumante bairradino.



Na fase seguinte, o Quinta dos Carvalhais Alfrocheiro 2006 (produzido pela Sogrape na região do Dão, PVP 12,83 €) acompanhou o prato principal. Grande era a expectativa sobre o comportamento deste vinho à mesa, uma vez que a Quinta dos Carvalhais é um dos produtores mais consistentes no mercado nacional do ponto de vista qualitativo. De cor granada, este tinto  presenteia o nariz com aromas de fruta vermelha bem madura e óptima frescura dada por sugestão de folhas de menta. A frescura mantém-se na boca, bela acidez e vivacidade, notas minerais, taninos integrados, final médio a longo envolvido em fumados e alguma fruta. Vinho gastronómico quanto baste, harmonizou bem com o tagliatelle (nomeadamente com o molho de cogumelos), embora um prato baseado nas carnes vermelhas pudesse enfrentar os seus taninos com outras armas.

 

As receitas sugeridas no site da Sogrape (http://www.sograpevinhos.eu/gourmet/vinhosereceitas) serviram de base para a elaboração deste jantar, e por isso aqui vos deixo o link para poderem também investigar.

Love never dies

Talvez seja o efeito do álcool. Ou talvez não, não sei. Deparei-me com uma constatação acerca do meu feitio. Eu colecciono paixões. E não é de hoje. Fora as óbvias paixões, mulher e filha, até neste mundano e relativo mundo do vinho, sou um gajo de paixões. Tenho uma pancada pelo Niepoort, sim. E de há uns tempos para cá, tenho uma assolampada paixão por tudo o que tenha no rótulo "Bairrada" e "Garrafeira". E desde que visitei a Quinta das Bágeiras, percebi o quão interessante é ser diferente.

Sem colagem, sem filtração. Tonéis velhos e instalações á antiga. Métodos á antiga, mas uma vontade de novo.
 
Faz-se pouco vinho, mas o que se faz é mesmo muito bom. Provei na altura, um dia abrasador em pleno Agosto (bateu os 40º...) dois espumantes. Um rosé, cheio de sabor e a pedir um dia daqueles. E provámos um Reserva de 2004. Ambos eram soberbos. Trouxe para casa seis Super Reservas de 2007, mas fiquei com os Garrafeiras na cabeça. Por várias e óbvias razões. Garrafeiras, só eram atribuídas aqueles vinhos de excepção, que eram mesmo para durar. Depois, porque... claro, pé-rapado como nós olha para cima e regala-se com os topos de gama. E depois, o preço.

Tenho, como todos a mórbida curiosidade de olhar para os topos de gama. Muitas vezes fico estupefacto com os preços. Mas o Mário Sérgio (proprietário e vinicultor desta quinta...), numa atitude ... sei lá, vou dizer, inteligente, posicionou os seus topos de gama num escalão de preço muitíssimo aceitável. Quiçá, exageradamente aceitável. Não será exagerado, porque ele não engarrafa 400 mil garrafas de um só produto. Mas vinhos que prova após prova, revelam-se dos melhores alguma vez feitos aqui, neste jardim á beira mar plantado, levam altas notas na imprensa especializada portuguesa ou estrangeira, e é até é considerada uma das 100 melhores produtoras do mundo, torna-se interessante ver os preços praticados.

Este vinho estava na loja da adega, por algo a rondar os 10 euros. O tinto, um portento de força tanínica que leva anos a domar, era 18. Na Garrafeira Nacional, andam entre os 11 e os 20. Numa grande superfície, com a excepção do El Corte Inglês nunca os tinha visto. Por isso foi uma muito agradável surpresa encontrá-los na prateleira de uma grande superfície na Margem Sul do Tejo. Por 8,5 euros. Não discuto preços quando estes me beneficiam. Pego e venho-me embora. Esperar e abri-las. Mais nada. O vinho é feito para ser bebido. Apreciado, degustado e avaliado. E tudo o resto são considerandos. É soberbo. Tem anos pela frente. E tudo o resto são palavras ao vento...


ps - foi aberto este fim de semana e acompanhou um soberbo Pargo com 1,4kgs. Ode á esposa que faz estas coisas de maneira soberba. Adoro a palavra "soberbo"... aplica-se tão bem a ela.

A magia dos Garrafeira


Isto de se gostar de vinho, discutir vinho e coleccionar vinho tem muito que se lhe diga.
Desde que embarquei neste filme, que já não consigo equacionar as férias no habitual retiro beirão, sem uma ocasional escapadela ás muitas e quase todas boas, adegas da região.

Quase á porta de casa, a Quinta dos Termos. Um bocadinho mais para baixo, a Adega Cooperativa da Covilhã, que faz um Garrafeira dos Sócios brutal.

Se se quiser embarcar em viagens um pouco mais longas, mas nada de descomunal, temos a pouco mais de 90 kms a norte, Vila Nova de Foz Cõa. E aí, terras do Douro Superior, a coisa aquece e de que maneira. Vale Meão, Casa da Palmeira, as Quintas do projecto Duorum, as mais emblemáticas da Ramos Pinto... é uma infinidade de grandes casas e rótulos que fazem sonhar.

Mas hoje o périplo vai para outras bandas, um pouco mais para sul e para oeste. Vamos ao eixo Bairrada-Dão.

A minha epopeia pessoal na visita á Quinta das Bágeiras, só por si dava um post, mas não vai ser hoje. Podia falar das magnificas paisagens do Luso, do esplendoroso Palácio do Bussaco(que segundo consta, tem alguns vinhos brutais...) da incrivel simbiose entre o Leitão da Bairrada (que tão poucos restaurantes sabem fazer na perfeição...) e os espumantes da região. Mas não vou fazer de guia turistico, embora considere que na sua grande maioria, provar alguns néctares que nos fazem sonhar na origem e servidos na sua maioria pelo produtor, é uma coisa deslumbrante.

Hoje falo outra vez da influência de Dirk Niepoort, nas minhas escolhas pessoais de vinho.

Como muitos, recebo a newsletter dos projectos Niepoort e algures por esta altura, no ano passado, uma newsletter com o texto redigido pelo próprio, deixou-me intrigado.

O senhor Niepoort, raramente usa da própria palavra, para apregoar algo na internet, portanto uma mensagem dele, é um evento.

Falava de um jantar entre amigos, muitos vinhos provados e analisados, mas de uma inesperada estrela. Um Bairrada. Garrafeira, por sinal. De 1982.

Em prova directa com alguns Barolos italianos e famosos da Borgonha, um Garrafeira da Bairrada, de um desconhecido produtor(desconhecido, pelo menos para mim...) deixou todos de queixo caído. Depois daquela prova, Dirk Niepoort “correu” para a Bairrada, tentando descobrir o que se passou, se havia mais disto, onde andava este senhor, Dores Simões de seu nome.

Descobriu-o e trouxe de volta para a Quinta de Nápoles, umas dezenas de caixas de Garrafeiras da Quinta do Canto, colheitas 1994 e 1995. E uma ou outra de 1990, mas essas quase todas ficaram para reserva pessoal.

Provado e testado, colocou um apaixonante texto na newsletter da Niepoort-Projectos e entusiasmou muito boa gente, eu incluído.

Convenci o Miguel, a ir a jogo comigo e mandar vir umas quantas de ambas as colheitas. Uma de cada ano, para provar e guardar.

Algures no final do verão/principio do Outono de 2011, tive a minha sogra e os meus cunhados em casa para jantar. Decidi uns dias antes, que dado o jantar (Entrecosto assado no forno, com castanhas ...) seria um desses Garrafeiras a acompanhar o repasto. Tinha lido que o senhor Niepoort, aquando de um evento na Quinta de Nápoles, tinha aberto uma de 1990 e decantado-a, 24 horas antes!

Disse para comigo “não sejas parvo, tu não vais conseguir manter a qualidade durante 24 horas, reduz o prazo” e em boa hora o fiz. Abri-o e decantei-o ás 10 da manhã e foi servido, nas melhores condições possíveis, por voltas das 20 horas. Portanto, umas 10 horas no decanter.

Eu que sou tão contra o sistema de pontuação e a influência dos críticos profissionais na escolha do que são grandes néctares ou maus néctares, sou obrigado a dar uma pontuação/apreciação.

Foi só o melhor melhor vinho que alguma vez provei.
Já meti ao bucho Vale Meão, Mouchão, Redomas e Charmes. Tenho muito boas memórias de um Pinot Noir alentejano, que eu sei que o Miguel o tem nos píncaros. Tenho muitas saudades de um misto de Tannat e castas locais, que compõem o lote desse portento setubalense, que é o Hexagon. De 2003, de preferência. Até de um Poeirinho, da Quinta dos Cozinheiros, tenho saudades.

Mas nunca tinha bebido nada daquilo.

Elegante, entra devagar tanto no aroma, como no palato. Quando se dá por ele, as especiarias tomaram conta da loja, dominaram o fim de boca, como se ... imaginem, por um momento, correr descalço numa carpete de veludo. É o melhor elogio que posso fazer.


A Baga, domada como estava depois de 17 anos e com a ajuda de Tinta Pinheira, faziam uns 12.5% de alcóol, sinceros e impressionantes

Não uso os considerandos de outros críticos profissionais ou não profissionais, não tenho a sensibilidade para usar esses termos, sem me começar a rir. Deste nunca mais me esqueço. É um bocado como o primeiro beijo. Pode ter sido uma porcaria, mas nunca mais se esquece.

Não foi, de todo, este o caso.

Nota final – está a venda nos projectos da Niepoort, por uns módicos 11€. Por este preço, é ouro líquido!
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